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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Eu, se puder, também me vou

"Movimento emigratório actual comparado ao da década de 60 "

É triste quando achamos que o nosso país está podre, corrompido, sem solução. Que já nada tem para oferecer e que se continuarmos aqui seremos uma geração perdida.
O D. foi despedido porque assim, de repente, deixou de ser necessário. Estava a recibos verdes desde Agosto e acabaram de entrar duas pessoas novas. Um dos novos colegas é filho de um amigo do patrão, o outro tem um mestrado e sai pelo mesmo preço em termos salariais.
Estava a mais de metade do estágio que tem que fazer para entrar na ordem dos arquitectos (uma ordem que lhes rouba dinheiro e nada lhes dá em troca a não ser formação obrigatória e pagante). O patrão "cagou" (pardon my french mas é mesmo isso) para isso. De nada lhe valeram os muitos fins-de-semana, noites, madrugadas e feriados que ficou a trabalhar. Sem folgas, sem receber mais por isso. Ou a semana em que esteve doente mas que foi trabalhar por estarem em data de entrega de um projecto.
Apenas não há consideração, respeito e tudo é permitido. A quem detem o poder tudo é possível, todos os abusos, todos os ganhos. Estou tão furiosa quanto ele, ou mais. Estou furiosa por ele e por mim, que já ali estive, naquele exacto lugar e sei tão bem como se sente. Eu que todos os dias espero que o telemóvel toque, o que raramente acontece e quando acontece, não é nada que seja condigno ou merecedor. País de merda!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Não concordo nada com isto!

O aumento do salário mínimo acho lindamente e, enquanto não atingir a fasquia de pelo menos 600 euros não será um valor minimamente aceitável. Estamos na causa da Europa e temos um nível de vida demasiado elevado para o que ganhamos. Quem consegue viver com 500 euros por mês? Consegue-se quanto muito sobreviver, e a custo. Mas não se consegue, de todo viver.

Contudo, ser a segurança social a suportar uma despesa que deve ser das empresas, ao mesmo tempo que lhes reduz a um ponto percentual a taxa social única e lhes alarga o prazo de pagamento das dívidas à Segurança Social, é simplesmente errado. Primeiro porque endivida ainda mais os cofres do estado numa despesa que não deve ser dele. Não vai haver reformas daqui a uns anos se continuam a dar dinheiro para BCP´s e outras empresas afins. Um governo não pode apenas governar com base numa timeline de 4 anos. Depois porque uma empresa que não consegue suportar um aumento de 15% no salário dos seus empregados é uma empresa que não deveria existir. Um empregado, nas 40 horas semanais que deve à empresa não consegue ganhar 475 euros em lucro?! Duvido muito.

Sou muito comuna nestas coisas porque penso que os empregadores cada vez têm mais privilêgios e vantagens e o empregado cada vez menos. Talvez por estar do lado do empregado que já passou por recibos verdes, contractos verbais e explorações do empregador. Já chega de facilidades! Um bocadinho mais de justiça num estado que se diz Estado Social.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vida em pausa

O pior é esta espera, este limbo de impaciência e de esperança. Olhar o e-mail a cada 10 minutos, esperar a qualquer momento ouvir o telemóvel tocar. E que quando toque seja com uma notícia, ao menos, razoável!

Sou mais um das centenas de licenciados desempregados. Depois de uma experiência muito má este verão, com um empregador irascível e desrespeitador, a recibos verdes, estou de novo "à caça", pela enésima vez, já perdi a conta de quantas vezes passei este processo: reordenar o CV, por-me de novo no mercado, anunciar as minhas características como se me estivesse a vender. Tenho uma colega que diz que se sente como uma puta, sempre a tentar vender-se a quem der a melhor oferta. Eu não iria tão longe, mas também não fujo muito à sensação.

O pior é ter a vida inteira em espera, suspensa, quase imóvel. Não sei se fico nesta cidade, se, mais uma vez tenho que deixar a minha vida toda para trás e voltar a casa dos pais.