Tenho andada alheada das notícias. Em
casa, à hora de jantar deixei de sintonizar o telejornal porque perdia
sempre o apetite.
Não impede no entanto a falência deste
escapismo, e hoje quando abri os jornais juro que me doeu o peito e a preocupação
que anda por cá de maneira constante foi agravada com esta noticia!
Foi no Jornal de Notícias que aprendi
a ser jornalista, foi aqui que me apaixonei pela profissão, foi aqui que
me dei conta também que a objectividade e imparcialidade na sala de redacção
têm interpretações diferentes das que damos na faculdade. Os interesses
estavam lá: houve histórias que quis perseguir e não me deixaram, houve
palavras ou frases que era sugestionada a alterar, fui gentilmente convencida
a tomar café ou almoçar com acessores de imprensa de câmaras municipais
para a boa manutenção dos contactos ( recusei das duas primeiras vezes
que o acessor me convidou porque achava aquilo tremendamente despropositado
em termos de objectividade, à terceira foi o meu editor que me veio ensinar
os meandros do jornalismo real e os cafés lá passaram a fazer parte do
trabalho, junto com o pedido de ter atenção ás palavras escritas.
Isto para explicar que é claro que o
jornalismo português sempre sofreu de influências, mas penso que ainda
era capaz de prestar um serviço razoável ao país em termos de jornalismo..
Mas com isto agora, como diz a peça
títulos históricos como o DN, que fazem parte da história de Portugal desde o século
XIX, agora vendido a Angolanos. E quem fala em Angolanos fala de ingleses,
chineses, suecos....não há uma lei que impeça a venda de media a capiatis
estrangeiros?! Sou só eu que acho isto completamente flagrante?! A sério,
não há uma lei?! Não há nada que possa impedir isto?! Andamos a vender o
país aos pedaços pela oferta mais alta. No final não vai sobrar nada para
os portugueses.