sábado, 29 de setembro de 2012

Everything will be alright in the end. And if it´s not allright, it´s not the end yet

"There is no past that we can bring back by longing for it. Only a present that builds and  creates itself as the past withdraws. "

Bitter-sweet, talvez seja a palavra certa para este filme. Muito bem escrito e com um leque de personagens deliciosas.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Outono deixou-me nostálgica

E esta música não me sai da cabeça desde ontem.

Two drifters off to see the worldThere's such a lot of world to seeWe're after the same rainbow's end, Waiting 'round the bendMy huckleberry friend, moon river, and me 

Tão doce, tão bem escrita...porque é que já não se fazem músicas com esta inocência e candura?

domingo, 23 de setembro de 2012

E o Outono chegou





Os dias já estão mais pequenos e hoje apanhei a primeira molha da estação, ainda de alças nos ombros e sandálias nos pés. Custa-me dizer adeus ao Verão, por mim viveria sempre de chinelo no pé e vestidos. E no dia em que me despedi do Verão foi esta música que vim a ouvir enquanto o sol desaparecia num mar claramente outonal, muito mais revolto e selvagem. Que seja um Outono tão doce como a música.

sábado, 22 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ao contrário lê-se Amor

 Não quero saber se o filme tem tido más críticas. É a cidade que me apaixonou naquela luz mágica que banha as casas e as ruas, e este filme  é para ver na grande tela, quando mais não seja porque Roma vai encher o ecrã e o meu coração vai-se encher de uma saudade tão doce como a recordação que a cidade deixou em mim.

O Bom Inverno

Há muito se falava deste livro e por várias vezes tinha ido ás livrarias e estava sempre esgotado. Há pouco tempo encontrei a versão pocket book a 7.50eur e devorei - o. Atesto que é tao bom quanto dizem que é, lê-se de um fôlego e foi dos livros mais entusiasmantes que li nos últimos tempos, um verdadeiro turn pager. Recomendo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

15 de Setembro

Estava fora de Lisboa e não fui. O que vi pela tv foi uma massa de gente a invadir o país e depois os desacatos frente à Assembleia da República. Gente que foi ali para armar confusão, gente que não quer a mudança, só o confronto. Gente idiota que quer destruir a Asssembleia para quê? De que servia? Além de se destruir património público, somos nós a pagar. Gente ignorante que chamava os polícias de filho da puta por não tirarem a farda e se mudarem para o lado dos manifestantes ( eles estão a trabalhar, se o fizessem teriam emprego hoje para pagar as contas?!) Não pode ser fácil estar ali, quando também eles são impactados por estas medidas, quando muitos deles terão a mesma opinião que mais de um milhão de portugueses e sobretudo quando estão a ser ameaçados, ofendidos, confrontados e a ordem é não reagir. E viam-se garrafas a ser atiradas, petardos que facilmente poderiam instar ao tiroteio, tomates até contra os cães polícia. Se eu lá estivesse acho que me voltava era contra os arruaceiros!

E no meio dessa ignorância e apelo gratuito à violência, estas duas imagens: um cravo e um abraço contra a farda negra dos polícias. O vermelho da flor e o laranja dos cabelos da Adriana, que parece ter saído de um catálogo de propósito para esta foto. Já andam a correr o mundo. E como o mundo precisa de mais imagens assim!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

As últimas semanas não tem sido fáceis e os dias junto ao fim de semana parecem ser os que trazem piores notícias.
Acabei as últimas férias de verão este ano e agora só no Natal e entrei em Setembro com uma descrença generalizada em tudo. Foi apenas o regressar à vidinha costumeira dos dias que passam. Depois veio esta história de nos cortarem mais no salário e a machadada final na esperança de muita gente. Não tenho grandes luxos, a única renda que pago além da casa é o ginásio e até nisso terei provavelmente que cortar. Fiz as contas e vai ter que ser muito apertado para não acabar o mês a negativo. Perante este cenário, torna-se só evidente que temos de fazer algo, que temos de arriscar, que não se pode ficar quieto à espera que os ladrões apareçam. E nisso, a perspectiva de uma vida no soalheiro Portugal, perto dos meus, também se desvanece.
No entretanto descubro que a minha candidatura a Paris nem sequer saiu da mesa das assinaturas, apesar de cumprir todos os requisitos, e que no entretanto há outra pessoa que conseguiu uma vaga que queria, porque foi "convidada". Estou farta de cunhas e de tramas de bastidores e estou cansada que quem faça as coisas dentro dos trâmites, nunca seja avaliado pelo mérito. Estou zangada comigo por ser esta besta que acha que fazendo as coisas como deve ser e sem tramar ninguém, que um dia sou recompensada porque "what goes around comes around". És tão ridícula garota, tão burra e nunca mais aprendes!
Ontem novo baque: a vida está determinada a arrancar-me todas as pessoas que me dizem algo. Vou perder mais um amigo para o mundo, mais um que vai embora, atrás da vida que o país lhe nega. Fico feliz por ele, mas confesso que só me apetecia chorar ao telefone ao ouvir aquilo. Apetece-me gritar com o universo a dizer-lhe que eu não consigo mais, não consigo mais perder mais ninguém. Não tenho mais coração. Olho para trás, os últimos dois anos e conto as pessoas que restam. O Mundo e a vida já me roubaram tanta gente ao longo destes dois anos, roubaram mais do que aquilo que deram de volta. E quando a noite cai, quando os contactos no telemóvel começam a ter mais números estrangeiros que portugueses, quando queremos fazer algo e sabemos que a pessoa que ia adorar fazer aquilo já não está ali, é quando dói mais e damos conta que à medida que o tempo passa, vamos ficando mais e mais sozinhos.
Esta crise não veio só roubar dinheiro, veio roubar pessoas, vidas. Estou muito mais pobre agora, muito mais amargurada. Porque todos os dias me dói a ausência de quem não está, da vida que era suposto ser, as relações que era suposto ter e todas elas me têm sido estripadas. E depois esta percepção: todos vão seguindo a sua vida, mais cedo ou mais tarde, arriscando...está tudo espalhado pelo mundo e eu sei que lhes dói todos os dias também, sei que não é fácil terem que recomeçar. E quando se está num lugar em que cada vez há menos motivos para ficar, o que nos prende? Um homem sem esperança é um homem perigoso porque já muito pouco tem a perder. E porque a falta de esperança nos faz trilhar outros caminhos que não julgáramos ser capazes. Chegou nesse ponto para mim.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Mãos ao alto! Isto é um assalto.

Teria sido mais honesto!
Desde 2007 que não tenho (ou terei, daqui a 4 meses pelo menos)  um salário tão baixo. E nessa altura estava a fazer um estágio no Luxemburgo e, mesmo assim, a bolsa conseguia ser maior do que aquilo que irei ganhar a partir de Janeiro.

Se hoje em dia já não tenho grandes luxos nem deslizes, a partir de Janeiro vou passar a trabalhar para sobreviver. Não consigo poupar dinheiro, não posso pagar uma casa só para mim, o meu salário não me permite manter um carro, se num mês tiver uma despesa adicional que ultrapasse os 100 euros deixo de ter controle orçamental. Fazer uma viagem por ano também é um ideal.  E agora vou ganhar ainda menos do que quando tinha 24 anos e estava em início de carreira! Perante a comunicação do PM na sexta feira tive um vislumbre da minha vida daqui a 10 anos: se nada fizer, vou ter a mesma exacta vidinha de agora,  de tostões contados.

Pela primeira vez não me apeteceu insurgir ou apelar a este povo manso e morno que tudo acata apesar de toda a gente estar contra. Este novo imposto é um roubo dissimulado de contribuição para a Segurança Social ( alguém acredita que vamos ver os valores reflectidos na reforma!?) A ideia de sair do país nunca me abandonou, mas este fim de semana foi cair na real, na consciência de que se eu nada fizer por mim agora vou viver de mãos atadas a vida inteira. Adoro o sol, adoro os meus amigos e a minha família são o que me mantem sã, o que me dá força. Mas na verdade, podemos sempre recomeçar em qualquer lugar e eu não tenho nada de verdadeiramente importante que me prenda aqui. A partir de hoje, segunda feira, a minha busca por emprego lá fora vai passar a ser activa e diária. E acabaram-se os limites geográficos! Não há escolha.


Especialmente depois que na sexta feira soube também, que o meu processo de candidatura de uma vaga em Paris, para a qual até tinha boas hipóteses, está a aguardar a assinatura do big boss da empresa em Portugal. A aguardar assinatura quando o processo de envios de cv ficou concluído a 31 de Agosto em Paris e entreguei a minha candidatura aqui bem antes. Muito obrigada a toda a burocracia da treta e as falinhas mansas desta empresa que tenta a todo o custo prender o pessoal aqui. Quando lhes disse que queria concorrer à vaga em Paris ainda me perguntaram porque queria ir para fora e que tinha que escrever uma carta a justificar o pedido de mobilidade internacional. Não é óbvio?! Tanto tentam travar a saída que as pessoas acabam por os deixar na mesma, da pior maneira. Eu, honestamente, espero já não demorar muito a ser uma das que os deixa.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Modern couples

No outro dia a TVI passou uma reportagem sobre as relações contemporâneas. Mostrava um grupo de mulheres de bem com a vida, na casa dos 40 anos, a assumirem-se como solteiras convictas e contentes. Os homens idem aspas. Ainda que uma minoria destes homens e  mulheres possam ser assim felizes como a reportagem mostra, ao dormirem com uma pessoa diferente todas as noites, não acho que esse seja o desejo da maior parte do mundo. Pelo contrário. E noto que a partir de uma determinada idade as pessoas têm tanta pressa em apenas "ter alguém" que qualquer pessoa serve, cumpra ou não os requisitos.

Não me entra na cabeça como pode alguém preferir aguentar a presença constante de alguém  que não se ama para se fugir a estar sozinho. E mete-me uma certa confusão um caso recente em que começaram um namoro com cerca de mês e meio ( ele andava à caça de qualquer mulher, literalmente qualquer uma que o quisesse, só de o ouvir um par de horas uma noite fiquei a saber do rol de desiludões e do grau de desespero. E ela, a tentar superar um amor não correspondido, acabou com um tipo que não tem nenhum dos predicados que ela dizia querer) Comunicou o namoro como quem diz que vai jantar fora, de forma tão banal e corriqueira que nada faz lembrar as borboletas no estômago ao mês e meio. E também que estavam a pensar morar juntos. Com um mês e meio. 

Não entendo esta forma de fazer as coisas. Tudo tem um tempo, tal como a paixão tem um tempo para crescer, florescer e chegar ao ponto em que faz sentido ir morar com a outra pessoa. Não é o primeiro caso á minha volta, não será o último. Em busca de um grande amor que não chega, as pessoas contentam-se com o que há, o que aparece, e depois correm para aquilo em toda a velocidade, com medo que acabe antes de eles terem tempo de viver como acham que deveriam viver perante a idade que tem e perante a sociedade. E estes casos entristecem-me. Entristece-me a banalidade com que falam do namorado de um mês, quase com um encolher de ombros, sem sorriso, sem brilho no olhar. Entristece-me que ande tanta gente á procura da metade da laranja sem nunca encontrar. E entristece-me mais que, havendo quem encontre, deite fora mesmo sabendo que aquilo não aparece todos os dias. Também acontece e é mil vezes pior.

Não me esqueço da frase do Mystic River, em que o namorado desolado pelo assassinato da namorada, é reconfortado pelo polícia que lhe diz que ele é novo, que vai voltar a ser feliz. E ele, muito sério e seguro do que diz, olha-o nos olhos e pergunta" Um amor destes não acontece à maioria das pessoas uma única vez durante a sua vida, quanto mais duas vezes". O polícia cala-se.
Espero nunca me tornar nisto, na pessoa que um dia aceita um namorado como quem vai ali jantar fora e já volta. Espero nunca deixar de ter brilho no olhar e sorriso rasgado se tiver um namorado de um mês. Prefiro mil vezes estar sozinha, no meu canto, a tolerar ou aceitar a presença de outra pessoa só porque sim.