terça-feira, 20 de março de 2012

Olá Primavera


Chegaste hoje sem surpresa. Este Inverno não mo pareceu, faltou a chuva, as noites em que adormecia embalada com ela a cair lá fora, as galochas, as molhas de fim de semana. No hemisfério sul começa o Outono hoje. Impossível ficarem sincronizados, são como dois amantes destinados a nunca se encontrarem entre equinócios. Familiar! Se bem que, com o aquecimento global, as diferenças entre estações e latitudes se esbatam cada vez mais....

sexta-feira, 16 de março de 2012

Quero ver este filme


Ainda que saiba que provavelmente vou chorar como uma madalena...desde o livro do Cavalo Preto, que li aos 10 anos, que choro desalmadamente quando mete cavalos!

Querido São Pedro!

Sei que deves andar zangado com nós terráqueos, mas eu não gosto deste chove não molha. Já que tens que nos deixar com um fim de semana em tons de cinza, por favor faz com que chova. A aguinha é necessária porque, entre outras coisas, as laranjas já não sabem a nada, a fruta não é boa e está mais cara, e eu gosto delas é bem docinhas e baratas. Além disso, isto assim não parece Inverno e eu já tenho saudades de dormir com o barulho da chuva a cair lá fora. Ou ver um filme numa tarde de sábado enrolada na manta, sem qualquer tipo de remorso, porque chove a potes, ou dançar na chuva, que também é tão bom. A última vez foi no dia 1 de Janeiro no Porto e tenho boas recordações. Manda vir mais por favor . Obrigada!
2 semanas depois do meu glorioso escaldão de corpo inteiro ( coisa nunca antes ocorrida) sinto-me uma autêntica cobra, a descamar pele morta. O bonito tom dourado das pernas ( que nunca bronzeiam, são continuamente brancas) está a sair porque tenho pele a escamar em todo o comprimento. Brasil, next time, factor 60 apenas!

terça-feira, 13 de março de 2012

Acabou-se!

Já não tinha acesso a Facebook ou email. Agora, até o prazer de ver blogues me foi vedado. Acabaram com o acesso a tudo o que seja domínio blogspot. As minhas horas mortas no trabalho ( que são muitas ) tornaram-se ainda mais penosas. No entanto, Record e A Bola continuam disponíveis. É justo?! Ditadores!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Seu Jorge não é a mesma coisa que Jorge Ben Jor

Pequeno episódio constrangedor! E o único motivo pelo qual o vou confessar é porque me rio com ele de cada vez que me lembro da trenguice e distracção. Ora bem: eu tenho um cd do Seu Jorge ao vivo, em dueto com a Ana Carolina. Não conheço mais nada dele além desse cd já antigo. O mesmo acontece com o D . julgo. No entanto, advogo que gosto do cantor pela tonalidade da voz e letras das (poucas) músicas que conheço. Ao ver um panfleto que anunciava um concerto no Circo Voador, corremos a comprar bilhetes, sem pensar muito no assunto, contentes por ir a um concerto no Rio, marcado para as 23h de uma sexta feira.
No dia em causa lá estávamos animados, a escolher os melhores lugares na bancada de cima. A animação foi esmorecendo com as 2h 30 de atraso e deu lugar a uma irritação pelo artista que, claramente não tinha respeito nenhum pelos fãs.
O artista esse apareceu eram 1h30 da manhã depois de muitos apupos do público e sem uma explicação. Tinha o cabelo curto ( nada das rastas do Seu Jorge) e a voz também parecia diferente. Chateados decidimos contudo aproveitar o concerto, afinal tínhamos esperado tanto tempo.... Começa a primeira música, depois a segunda. E nisto, numa inspiração de um segundo, viro-me para o D. e exclamo " Este não é o Seu Jorge, a voz não tem nada a ver" . Ao que uma centelha de luz passa nos olhos dele no mesmo momento e só aí nos apercebemos que tínhamos confundido os nomes. Fôramos afinal ver o Jorge Ben Jor, que nada tem que ver com o primeiro. Nem o nome no bilhete nos fez estranhar, nem o cabelo, nem a música inicial. Foi um episódio de cromice sem igual, mas acabamos a rir na mesma hora, incrédulos e divertidos com a situação. Acabamos a dançar na mesma, mesmo sem conhecer uma única música e com mais um nome de música brasileira no curriculum cultural!

Para a Pat

Tu não sabes, mas este fim de semana estive com a L. e a com a A. e levei-lhes o saco de vernizes que trouxe do Brasil para elas escolherem. Primeiro atiraram-se aos frascos, mas depois quando lhes disse, que também era para ti, decidiram não escolher nenhum e esperar pela próxima vez que estivéssemos todas juntas. Diz lá senão temos as melhores amigas do mundo?! :)

Like Flaming June







Um dos quadros que mais gosto é a Flaming June de Frederic Leighton que vi pela primeira vez exposto no Museu do Prado em Madrid. O que mais me apela nele são aquelas tonalidades de laranja. E quando se fala das cores e cheiros do continente sul americano não deve ser só para ambientar um certo exotismo. É porque é realmente diferente e intenso.
Nunca vi um por do sol tão magnético como o dos dias que passei no Rio, julgo que o sol se põe com mais rapidez e o laranja ofusca tudo em redor. Ficam as fotos de um pôr do sol visto da praia e que, modéstia à parte, me parecem postais.
Ainda não aterrei e parece-me que ando reticente em olhar para a minha realidade. Durmo como não acontecia faz muito, não sei se é do cansaço acumulado mas agradeço este aterrar na cama e dormir para lá das 11h da manhã. Saí de Portugal numa vaga de frio e volto já é Primavera, ou pelo menos parece. Estamos em Março de 2012 e ganho aqui uma maior liberdade para poder sair da empresa sem agravantes financeiros. O desejo de mudança de cenário cresce cada vez mais, tal como a minha impaciência. Um dos elementos da equipa vai sair em Abril para abraçar novos desafios fora da empresa e, quando o chefe o comunicou, eu só queria que fosse de mim que ele estivesse a falar ( ainda que não gostasse de ir trabalhar para onde a pessoa em causa vai). Vou então tentando não olhar o calendário nem fazer a contagem dos meses que passam, tentando conservar em mim uma certa tranquilidade adquirida sob os 40graus do Brasil. Um dia de cada vez....

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Rio continua lindo...
















A diferença anunciou-se ainda em voo, quando olhei para o chão que se avistava e vi lagoas intercaladas com morros e floresta, por kms a fio. Depois, quando aterrámos, ainda dentro do avião quase conseguia sentir o cheiro a calor e a vegetação. Aquele bafo quente que nos atinge assim que saímos porta fora inunda-nos de calor e cheiro a humidade e a terra. É realmente diferente de tudo o que é europeu, e isso é bom demais, essa sensação de novidade. A última vez que tive este impacto foi quando fui ao Egipto, já vai para uns bons anos.

Quanto à cidade em si, é maravilhosa como conta a música e assombra-nos de entusiasmo e de pavor também. É, definitivamente, uma cidade de contrastes gigantes. De um lado aquele mar, as praias plantadas com palmeiras e o sol tropical, o açaí e as frutas deliciosas que não cansei de provar, a água de coco gelada como a única coisa capaz de matar a sede naqueles 37 graus que apanhei quase diariamente. A beleza no topo do Pão da açúcar que me deixou efectivamente sem palavras, num estado contemplativo puro, e o assombro do Cristo, ofegante a cada lance de escadas desbravado. O pôr do sol em Ipanema por detrás da Pedra da Gávea, as bicicletas da lagoa e o ar europeu do Leblon.

E depois o lado mau: a insegurança que não se sente, mas que pode estar presente em qualquer parte, a limitação de liberdade que isso traz, o cuidado redobrado. Os engarrafamentos e o trânsito caótico, as distâncias e os tempos de percurso, a falta de educação das pessoas e as praias imundas, o custo de vida obsceno ( o Rio é a sexta cidade mais cara do mundo). Senti-me verdadeiramente pobre, nem da classe média eu seria ali, incapaz de comprar o que fosse naqueles shoppings ( vestidos e biquínis lindos sim, mas proibitivos - trouxe um biquíni por junto e um vestido encontrado no centro da cidade). Depois nota-se tanta segregação: os bem vestidos, os mais cuidados só vês em certos bairros da cidade, raramente apanham autocarros. A praia é talvez o único sítio onde se misturam. Ainda há tanto servilismo também (ainda têm ascensoristas - sim, só para te carregarem no botão do elevador e nos restaurantes servem-te directamente no prato). Além disso, há zonas que parecem de guerra, com portões altos a toda a volta e arame farpado electrificado em redor. Nenhum edifício é aberto, vive-se em condomínios fechados com vigias nas passarelas e nas entradas de cada prédio. Achei que a cidade pode ser muito hostil, opressiva até e que os cariocas não são os brasileiros mais acessíveis ou simpáticos do Brasil. Conservam aliás a imagem do português que guarda dinheiro em baixo do colchão e foi com espanto que tive uma senhora a afirmar com ganância que eu deveria ter um valente maço de notas em casa. A maneira como o afirmou foi mesquinha e não se fiou quando lhe assegurei que o Portugal de hoje está muito diferente de dias de emigrantes passados em que isso podia acontecer.

Tenho tanta foto que ainda não consegui organizar nem metade, e voltei tão cansada que, no dia seguinte ao meu regresso deixei a sopa no bico do gás enquanto tomava um banho demorado (escusado será dizer que esturrou) e pior, no supermercado já estava na caixa quando me lembrei de ir buscar dois produtos, os quais, no regresso invés de os colocar no tapete das compras, levei-os directo para o saco, mesmo em frente à operadora de caixa.Lá me desculpei com o voo de 10 horas, mas não sei se aquilo colou!

Ficam por agora estas fotos.