quarta-feira, 9 de março de 2011

Saudades de Paris









"Não foi para isto que fiz o 25 de Abril"...

Foi um comentário de um senhor de 60 anos que encontrei nesta rubrica do Público, a qual achei bastante interessante: Dar voz a quem de direito, aos que concordam e aos que não concordam, aos motivos de cada um, que são, no fundo, motivos de todos nós. Surpreendeu-me ver tantas opiniões de pessoas acima dos 50 anos, descontentes com a situação dos filhos, do país e com vontade de engrossar esta onda. Surpreende-me também a quantidade de opiniões que ligam a manifestação a partidos políticos. Nada disto se liga a nenhum partido, nada disto é a favor ou contra. Aliás, se tiver que ser é contra todos, pois nenhum contribui com propostas concretas para melhorar as coisas.

Não concordo com aqueles que dizem que não vão porque o português gosta de se queixar ou porque são todos os portugueses que estão à rasca e não apenas os jovens, ou porque a manifestação nada resolve mas só o trabalho pode resolver. Tipo estes 4 pontos que um leitor enumerou :

"Não participarei na manifestação dos ditos “à rasca” porque:

1º: Esta manifestação nasce inspirada numa qualquer ditadura islâmica e, em Portugal, vivemos num Estado de Direito com um regime democrático; Ai é?!! Agora fomos inspirados pelos islâmicos? Tudo a ver!!

2º: Muitos dos jovens à rasca vivem essa situação infeliz por errada escolha das escolas a frequentar que, tantas vezes, funcionaram mais como fábricas de ilusões do que servindo, prioritariamente, à sua preparação para a vida activa em sociedade; Neste monto de vista qual a escola a frequentar? Se fosse pela escola estava a trabalhar na minha área desde sempre!.

3º: À rasca estão todos os portugueses e, principalmente, os velhos que morrem sozinhos em casa e ao abandono, sem ninguém a cuidar desta extrema precariedade; Pois, e se ninguém fizer nada assim vai continuar. E quanto aos velhos que moram sozinhos tem que ver com as famílias e os afectos, não me aprece que sirva d emuito andar a responsabilizar o estado

4º: Por último, não será nestas manifestações, e com meninos destes, que vamos sair do escuro. Só com muito trabalho, por natureza penoso, e a exigir muitos sacrifícios, se há-de chegar ao amanhã por todos desejado." Com trabalho de 500 euros na caixa de um supermercado? Que trabalho senhor? Trabalho é o que se procura aqui, mas com condições. Penoso e coms acrifícios é o que sempre fizemos até agora.


Eu vou porque:

1) Empresas abusivas
Este é um problema global do país, que resulta do abusos das entidades empregadoras e da protecção que lhes é dada pelo estado. Não há muito emprego, é um facto, mas se os empregos que houverem fossem remunerados com justiça, se os falsos recibos verdes fossem erradicados de vez, se os sucessivos estágios de mão de obra gratuita fossem também eles ilegais e puníveis, podia continuar a haver poucos empregos, mas com certeza haveria mais gente empregada do que agora, de forma mais justa e com mais condições.

2) Mito do self made man
O problema é que não se dá valor à mão de obra, à qualidade, porque se o João e a Maria não quiserem trabalhar a 300 euros há mais 1000 que querem, querem agarrar aquela oportunidade por todos os meios porque acreditam sempre que, se fizerem um bom trabalho, se tiverem um bom desempenho, irão ser recompensados. É o mito do self made man, que deixou de ser possível na nossa época. O mérito já não é recompensado, apenas o lucro conta. E os que têm a sorte ou os conhecimentos certos para de facto conseguirem manter um emprego, crescerem na sua área sem terem que saltar de estágio em trabalho precário, em desemprego, em caixa de supermercado, em estágio de novo, são demasiado poucos. E isto não deveria ser a excepção, deveria ser a regra.

3) Acção
A manifestação pode não ter resultados, mas com certeza que ficarmos calados no nosso descontentamento apenas a continuar a enviar Cvs, a aceitar trabalhos precários, com certeza que nada muda mesmo.

4) Direito
Os nossos representantes políticos têm o dever de mudar as leis que estão a amputar a vida de uma geração inteira. Não se trata de fazer queixinhas,de vitimização, trata-se de reivindicar um direito. Não queremos que o estado nos dê empregos, como muitas das vozes contra dizem por aí..queremos que se proíbam determinadas práticas recorrentes das empresas...se apenas os recibos verdes e os estágios forem proibidos, limitados e remunerados, muita, muita coisa muda logo aí.

Quando comentei com uma colega de trabalho que tencionava participar, ela pareceu chocada e disse que não tinha que o fazer porque agora estava empregada e com contrato de trabalho. Valerá a pena dizer-lhe que participo por todos os anos em que procurei emprego na minha área, pelas centenas de Cvs que enviei sem resposta, por todas as vezes que me ofereceram ajudas de custo por tempo indeterminado, horários absurdos, pelos meses que trabalhei na Zaras, na Vodafone, na Perfumes e Companhia, no el corte inglês a ter de aturar madames que falavam para ti do alto dos seus euros como se nada fosses, provavelmente as madames dos donos das empresas onde tentei trabalhar condignamente. E que nesses meses trabalhava sem saber o que mais fazer para mudar a minha vida, vivia no medo de nunca mais conseguir sair dali. Por todas as vezes que chega tarde a casa dos turnos de shopping e ainda ia para o PC durante uma ou duas horas procurar ofertas de trabalho e enviar candidaturas. Valerá a pena dizer-lhe que participo por mim, por estar presa a um trabalho que não é o que sonhei, que não me dá prazer, que não me enche as medidas - e sim, acho que isso conta e muito - , que participo pelos meus amigos, pelo meu amor, pela minha vida que podia estar bem melhor, mais feliz, mas que anda à deriva por conta de quem nos controla o destino e hipoteca a vida. Valerá a pena levantar a voz e mostrar-lhe como estou zangada com toda esta situação quem me lixou a vida?!

terça-feira, 8 de março de 2011


O rapaz até pode ser simpático, aparentar ser interessante e persistente no número de vezes que convida para um café, apesar das negas. Afinal é só um café. Mas ele não és tu e, sabendo que algum dia vai ter que ser, o meu coração ainda não está pronto para deixar ninguém bater à porta sequer. Mas quando até a minha própria mãe me começa a incentivar a sair com rapazes, dá que pensar pelo menos!

sábado, 5 de março de 2011


Roubado daqui

127 hours

Tinha de o ir ver escolhi a hoje à tarde que entretanto se pós chuvosa para o fazer. Que murro no estômago! A cena da amputação não me fez mais impressão do que aquela com que já estava a contar, incomoda mais porque quase parece canibalismo. A montagem acho que está muito bem conseguida, muito Danny Boyle e a música totalmente A.R. Rahman também. No final fica o incómodo do filme e a pergunta vital: no mesmo lugar o que é que eu teria feito? Percebemos melhor como é que ele chegou à decisão de amputar o próprio braço e como se tornou o acto final que todos teríamos pensado, mas poucos chegariam a executar. Quanto mais não seja porque iriam desmaiar a meio do processo. Faz-nos perguntar se teríamos assim tanta vontade de sobreviver a ponto de começar a cortar a nossa própria carne, veias e músculos. Quando ele finalmente se liberta e fica ali a imagem de metade do seu braço entalada na rocha é irreal!Mas faz-nos pensar também que, depois daquela provação inumana, o que veio depois faz valer a pena. Dizem que Deus não põe no nosso caminho mais do que se pode suportar. Seja como for não deixa de me surpreender a natureza humana.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Hoje sou das palavras

"Eu gosto do claro, quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro, no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você dizer não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que leve você para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
a sua pressa para me vir amar
Venero a saudade quando ela está pra acabar"

Adriana Calcanhoto

Roubado à Sandy!

Expressões que gosto

"Você chegou no amiudar do dia"....daqui! Dado a conhecer pela Mar.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A minha colega de casa...

Além de todas as suas virtudes também é dotada de uma extraordinária falta de cultura. Hoje veio-me perguntar se eu sabia de um sítio onde se poderia visitar uma exposição de arte. Falei-lhe no CCB. Resposta dela "CC quê"?! Seriously?!! Ali, em Belém, estás a ver, ao pé do Mosteiro dos Jerónimos? Colecção Joe Berardo. "Quem?! Ah, é que eu em Lisboa não conheço quase nada." Ah, pois, claro, em Lisboa! Deve ser por isso.

E para que queria a moça saber disto? Para uma visita de estudo com os alunos. Giro, né? Pois, think again. Único motivo da visita confessado da sua própria boca: "estou a ser avaliada e dão valor a estas pindiriquices". Bela professora que deves ser!