quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Tenho uma colega de trabalho que está grávida. Andava já há bastante tempo a tentar engravidar e conseguiu agora pelo que é natural que esteja contente. Mas infelizmente vai ser daquelas grávidas chatas e exageradas. Senão, eis o exemplo: anda muito sensível porque esperava ter tratamento especial e mimos das colegas de trabalho a toda a hora. Fica chateada por não a tratarmos com pézinhos de lã. Eu lamento, mas ao que saiba gravidez não é doença. Está de uns 2 meses mas todos os dias se vem a queixar que dormir mal porque passa a vida na casa de banho...ora nesta altura aquilo não tem mais que o tamanho de um feijão, não vejo como lhe pode comprimir a bexiga de tal forma que a faça levantar tanta vez quanto ela diz. Depois é a estória da comida " que tem que comer de 2 em 2 horas e que só tem vontade de comer porcarias, é vê-la todos os dias consumir bolos, bolinhos e salgados, ou batatas fritas e pizza ao almoço. Não sei que livros é que ela anda a ler mas a criança precisa de ferro, e não de colesterol. E não precisa que se coma a dobrar, como é o caso. Ela anda muito orgulhosa da sua barriga, ansiosa para a ter ainda maior, mas lamento dizer, não é barriga de grávida, é de gorda! Ninguém tem uma barriga daquelas aos 2 meses e, à velocidade com que se alimenta, daqui a mais dois meses ela vai estar obesa e o bebé em risco.

Gambling...

Descobri que o Casino Lisboa é o lugar onde os chineses vão à noite. Já me havia questionado onde é que eles param, para além das suas lojas e restaurantes, já que raramente os vejo a frequentar mais lugar algum. A explicação é simples: depois de um dia inteiro nas lojas, à noite enfiam-se nos casinos, só pode. A julgar pela quantidade de jogadores que povoam as slot machines e as mesas de pôquer. Entrar ali é como entrar num filme sobre uma tríade do jogo. Muito surpresa fiquei também por encontrar a figura mais caricata e mais inusitada deste espaço :uma peixeira, literalmente! Ainda vestida com as roupas de praça; socas, avental, a típica mochilinha que se coloca à volta da cintura para guardar as moedas, e um ar alucinado e descontente com o jogo que estava a ter. Teria tirado uma foto se pudesse, para guardar aquela personagem naquele cenário improvável. Depois há o típico: os viciados, oa ansioso, os curiosos, os que já não devem ter dinheiro para apostar, os que têm muito para apostar mas que acima de tudo procuram uma das muitas mulheres que passeiam no espaço à caça de quem as leve para casa a troco de dinheiro .

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

5 dias para o Natal...o natal dos nossos dias

"O Natal não era suposto ser isto (vocês sabem, festas da empresa, amigos secretos, shoppings ao fim-de-semana, «até 20 euros», este ano não se dá presentes, o vazio instala-se, dá-se presentes outra vez, afinal é natal). Desde que o Natal foi apropriado pelos ateus que já não é Natal, é outra coisa qualquer. Estou a ser desonesto, eu sei. O Natal não foi «apropriado pelos ateus»: os ateus é que nasceram todos em famílias religiosas (não há quem não tenha uma avó católica, pelo menos) e têm vindo a seleccionar muito bem aquilo que é purgado. Isto é, deitaram fora o menino mas ficaram com a água do banho, que está quentinha. Mas sem o menino a água vai esfriar, é só uma questão de tempo."

Aqui!
A minha colega de casa é professora e eu invejo-lhe o emprego. Não porque eu tenha grande talento ou apetência para ensinar - muito pelo contrário - mas por causa dos horários. Ganha mais do que eu, que trabalho sempre o dia completo. Ela, levanta-se quase todos os dias ás 10h e ás 17h já está em casa. O único dia em que se levanta mais cedo do que eu é à quarta feira, que é também o dia mais longo. Tudo bem que supostamente têm de preparar as aulas, mas nunca a vi aflita com trabalho ou avaliações. E além deste horário privilegiado, está de férias hoje até dia 3 de Janeiro, porque os meninos também estão de férias. Que maravilha de vida! Não tenho nada contra os professores, e sou contra o facto de terem que ser deslocalizados para darem aulas - para mim faz muito mais sentido que um professor de Lisboa fique a dar aulas dentro do concelho de Lisboa - mas bem que acabam por ter certos privilégios que os restantes profissionais não têm acesso. Por isso quando fazem mais uma manifestação eu não os apoio. Sempre foi uma classe cheia de privilégios e concordo que se estandardize a coisa. Muito bonito os juízes e professores terem dois a três meses de férias de verão, mas não é justo para quem trabalha todos os dias.

Dívida pública portuguesa

Que bonito tem sido ver o nosso querido primeiro ministro e o ministro das finanças a desdobrarem-se em mil e uma viagens de negócios para firmarem negócio com a China ou a Líbia agora.

É louvável ver o empenho destas figuras em acabarem com a dívida pública nacional que estes países compram não por caridade, mas pela contrapartida política que vão ganhar em troca. Portugal vai a partir de agora ter de defender pontos de vista de regimes ditatoriais na Europa: vamos fazer parte do coro de vozes que condena o Nobel da Paz chinês, vamos defender silenciosamente a pena de morte absurda daquele governo que condena quem ousa falar contra, a maior abertura ao comércio com a China - para mim a entrada da China no mercado têxtil Europeu foi das piores coisinhas que podia ter acontecido, além de matar muita indústria têxtil nacional fez as Zaras deste país e da Europa, aliás as Zaras e todos as outras lojas do grupo Inditex e não só - até a Naf Naf, que costumava ser de boa qualidade - num monte de lojas de chinês de etiqueta europeia. A qualidade dos tecidos é péssima. E se há uns anos comprávamos com o mesmo dinheiro que agora peças que duravam muito mais tempo, acho inaceitável pagarmos o mesmo por roupa de qualidade horrível.

Não acho razoável compactuar com um regime destes a troco de dinheiro. Acho preferível o FMI a este pacto com o diabo. Sim, a expressão vender a alma ao diabo ganha aqui a o seu significado pleno. Claro que se chegássemos ao ponto de o FMI ter que intervir, Sócrates seria definitivamente destronado do seu lugar de poder e, os socialistas não podem suportar essa ideia. É o vale tudo pela conservação do poder político, inclusive vender a preço de chuva todos os valores que ainda nos tornavam parte da Europa.
Esta notícia ( se é que assim lhe podemos chamar) é o cúmulo da tristeza, a meu ver.

Ouvido ontem no metro

"Ele vai ficar suando como um boi cansado com três palmos de língua de fora"

Dito por um adolescente do Nordeste brasileiro - pela pronúncia só podia ser. Adorei a metáfora!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ontem tive um jantar de solteiras, por assim dizer. Num sítio muito agradável, como já não tinha faz tempo. A conversa estava boa e a comida também. A maior parte das pessoas com quem saio tem namorado/a e faz tempo que não falava do modo de vida e aspirações de uma mulher solteira. E, ao mesmo tempo que me vou recordando de como era, também fico abismada com o "mercado" actual. Relações ansiosas por amor, um amor que fabricam em duas semanas, mudam-se de armas e bagagens um para casa do outro, fazem filhos muitas vezes e, seis meses depois se dão conta que se precipitaram. As pessoas parecem ter um ideal romântico que querem concretizar à força. Não se apercebendo que, na maior parte das vezes, têm de ser abençoadas com encontrar a pessoa certa, mais do que alguém com quem passam um bom bocado e que já serve para o efeito.

A R., uma mulher linda, vistosa, elegante, está sozinha à quase uma década. Não por falta de pretendentes, mas porque ou não são interessantes ou são uns mulherengos do pior. E acho o ditado "melhor sozinha que mal acompanhada" uma verdade inolvidável. Depois a M. disse que só agora, quase um ano depois de ter terminado o último namoro (amor) a sério, está a recuperar da queda. E dei comigo a pensar "Meu Deus, será que só daqui a um ano vou poder dizer isto de mim mesma?!". Não me assusta estar sózinha, o que assusta é dar por mim a comparar, a nunca nada ser suficiente, nada chegar aos calcanhares do que já tive. O que assusta é poder passar muito tempo à procura de algo que pode não chegar mais. Afinal quantas vezes na vida podemos dizer que amamos alguém? Uma ,ou duas, com sorte? Este sentimento não é algo que se dê fácil e é raro, daí ser tão valioso e tão frágil. But one can only hope that better times are yet to come. I know I do.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Talvez ele não fosse para mim afinal. Quando o conheci não dava 6 meses. Era uma paixoneta, uma coisa que surgiu não sei muito bem de onde e que iria embora tão naturalmente como começou. Enganei-me, porque se transformou na minha paixão mais violenta e, com o tempo, no meu amor grande, a minha vida. Não era possível nós acabarmos nunca, porque não era possível duas pessoas completarem-se tanto e ser tão intenso a toda a hora. Era, achava eu, a pessoa com quem iria envelhecer, com quem coleccionaria uma estante de livros só nossos, a pessoa que ia olhar para trás comigo e recordar tudo lado a lado com o sorriso de quem sabe que foi feliz. Não era possível não ficarmos juntos, tínhamos sido feitos para ser...julguei, com a ingenuidade de qualquer amor a sério, que ia ser para sempre.

Sempre lhe conheci os defeitos, e ele os meus que tenho muitos. Mas amamos para lá dos defeitos, certo? E sempre soube que havia incompatibilidades de feitios, de carácter, mas quem não as têm? Era impossível ser perfeito, sem arestas. Nessa altura julgava que, nas coisas essenciais estaríamos sempre de acordo e, quando não estivéssemos saberíamos chegar a um meio termo. Mas não previ isto, aliás, se me perguntassem eu iria pôr a mão no fogo por algo que, afinal, não era verdade. A decepção é muito maior do que poderia supor. É como se fosse acordada à força de um mundo que se despedaçou à minha frente, perante os meus olhos, indiferente às minhas lágrimas, aos "por favor". Nunca quis isto e agora ele não pode dizer " mas eu estive sempre lá". É verdade, não lhe posso apontar nada. Mas o problema não é o que está no passado. Foi pelo que estava no passado que tentei lutar para que nada disto acontecesse. O problema é o presente, a aposta tão alta, tão arriscada que ele colocou, e sobretudo o futuro. Há decepções que mudam tudo. E hoje, meu amor, cinco anos depois, eu sei que nós, afinal, não éramos para ser.