domingo, 28 de novembro de 2010

Tu já me arrumaste no armário dos restos
eu já te guardei na gaveta dos corpos perdidos
e das nossas memórias começamos a varrer
as pequenas gotas de felicidade
que já fomos.
Mas no tempo subjectivo
tu és ainda o meu relógio de vento
a minha máquina aceleradora de sangue
e por quanto tempo ainda
as minhas mãos serão para ti
o nocturno passeio do gato no telhado?

- Isabel Meyrelles -
Um dia perco a cabeça numa loja de perfumaria. Hoje foi o dia! E o pior é que nada do que comprei é para oferecer. É, tudo, tudinho, para me mimar!

sábado, 27 de novembro de 2010

Não pensei vir a gostar tanto deste livro e rever-me nele

"I can see where cultivating a measure of intelligent detachment in your life can be a valuable instrument of peace. I got to thinking about how much time I spend in my life crashing around like a great gasping fish, either squirming away from some uncomfortable distress or flopping hungrily toward ever more pleasure. And I wondered whether it might serve me - and those who are burdened with the task of loving me - if I could learn to stay still and endure a bit more without always getting dragged along on the potholed road of circumstance"

In Eat, Pray, Love

Exausta

É como me sinto depois de 3 semanas com um só dia de descanso. Hoje acabei a formação que estava a fazer e estou feliz por voltar a ter os fins-de-semana completos para dormir até tarde, passear e fazer nada, basicamente. Agora só tenho que aguentar mais uma semana de trabalho e depois...férias :) uma pequena semana de férias de toda esta rotina.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio da noite vazia
Numa boémia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você.

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Vou ter saudades da Cimeira. É que estava tão bem guardada com todos os meninos das forças de intervenção nas suas fardas azuis escuras!

Harry Potter




Não acredito que vou ter de esperar 8 meses para saber o final! Não li o livro para poder ficar neste suspense masoquista.
Este filme é negro, pesado, mas está muito bem conseguido e, mais uma vez a fotografia de Eduardo Serra consegue fazer milagres e transportar-nos ainda mais para dentro daquele universo mágico.

E os miúdos, como cresceram! Nem acredito que já se passaram 10 anos!

Já não há pessoas boas

Ao longo da minha vida fui tendo a sorte de encontrar pessoas boas, generosas. Pessoas que, uma ou outra excepção à parte, contribuíam para o melhor mais do que para o pior.
Tanto estranho incrivelmente gentil - nunca mais esqueço o casal que me levou a mim e à M. numa corrida tresloucada de Gaia a Campanhã, só para que duas miúdas de Coimbra - que não lhes eram nada e que só partilhavam um gosto musical - não perdessem o último comboio após o concerto do Tim Booth no Hard Club de Gaia.

Bem, isto até há uns anos atrás, pelo menos. Talvez desde que acabei a faculdade. Desde aí a tendência inverteu-se e parece que a maior parte das pessoas que se vão cruzando comigo são sobretudo de tendência negativa. Será que fui eu que fiz algo para atrair isso, destino, karma? Ou, a causa mais provável é por ter entrado no "mundo adulto", ter perdido inocência ou alterado a forma como via as coisas ao meu redor? Acho que isto piorou desde há uns 3 anos para cá, com pessoas mesquinhas, capazes de tudo para te pisar, só porque sim. Só porque lhes dá prazer, ainda que não retirem nenhum benefício disso. Este aspecto é o que me faz confusão.

As minhas acções normalmente são derivadas e guiadas por um determinado motivo. Mas há pessoas cujo único motivo é ver os outros mal. É enganar, mentir, apenas pelo prazer mórbido que isso lhes traz. Muito amigas numa dada altura mas que vão por trás das tuas costas à primeira chance que tenham.


Tenho cada vez menos paciência para este tipo de pessoas, para as intrigas do trabalho, para a colega que fica a contabilizar os minutos da hora de almoço que chegamos atrasadas, a que dá graxa à manager, a que envia e-mails à amiga só para criticar. E normalmente, num ambiente destes, fica de fora quem não entra nestes joguinhos, nas tramas, quem não arranja "aliados", como se tudo fosse uma guerra ou um enredo de espionagem. É que não tenho paciência! Irrita-me cada vez mais e sei que acabo isolada porque normalmente toda a gente se deixa influenciar e toma partidos.

É curioso mas não é muito diferente do liceu. Há a miúda gira que flirta com todos, compete pela melhor roupa e fala mal de quem ela acha que vem mal vestida. Há a melhor amiga da gira, que no fundo queria ser como ela e que de vez em quando se vem queixar porque a amiguinha a despeitou ou respondeu torto. Há a gordinha que se acha mais inteligente que os outros todos e que só baixa a bolinha depois de ser sucessivamente metida no seu lugar com umas verdades bem ditas. E há aquela que está sempre à espera de lixar os outros, sempre à cuca de matéria para trabalhar.
Quando me queixo com indignação as minhas amigas dizem-me que no sítio onde trabalham é igual. Não sei se antes era eu que não me apercebia destas coisas, se se foram intensificando à medida que crescia. Sei que me fazem mais desconfiada e uma pessoa pior também. A minha generosidade para com esta malta quando ela precisa é praticamente zero depois. O que por sua vez não contribui em nada ao trabalho de equipa. Mas não podemos dar a mão a quem nos arranca o braço, ou podemos?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sexta-feira não podia ter começado pior. Depois de uma noite cheia de dores, quando me levantei não me conseguia mexer. A dor era insuportável. E como me doía ao fundo das costas, ao lado da coluna e tinha os movimentos presos e uma dor lancinante como nunca até hoje, comecei logo a fazer uns belos filmes. Pensei que encontrar um táxi no meio da Av. D. João II fosse tarefa hercúlea, mas no meio do azar tive sorte e consegui logo um no instante que perguntei ao polícia. No hospital armei-me em forte e recusei o paracetamol intravenoso. Estúpida porque andei cheia de dores o dia inteiro e ainda tive que ir trabalhar. Lá ao meio da tarde os comprimidos começaram a fazer efeito e começava-me a sentir melhor quando cometi uma gaffe gigantesca em frente à chefe. É o ideal em véspera de avaliação e quando se avizinha o prazo de efectivação, ou não, na empresa. Oh yeah, o final deste ano não poderia estar a correr melhor!

Entretanto fui revistada duas vezes hoje, não tenho consigo carregar com o peso dos sacos das compras e não tenho quase nada em casa. Além disso está um homem estranhíssimo desde manhã a rondar o prédio. Vi-o quando voltei do hospital, quando vim almoçar e agora que regressei a casa. Alto, careca, forte, estilo tropa seal americana, estão a ver! Isso, ou é um terrorista, porque não me ocorre o que andará ele a guardar aqui no prédio, não me parece que esteja aí instalado alguém de destaque.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A minha nova colega de casa é simpática, não incomoda muito mas é um bocadinho control freak. Gosta de ter a casa como se ninguém lá morasse, o que me irrita um bocadinho porque há coisas que não adianta por dentro dos armários - como por exemplo o esfregão e o pano da loiça, que só vai para o armário ganhar bactérias porque não seca devidamente. A moça nem sequer lava loiça, sou eu normalmente quem lava, mas ela vai por trás, pega nos esfregões encharcados e coloca-os sempre e sistematicamente dentro do armário, só para que tenha que os tirar de lá passado uma hora. E andámos neste jogo, eu tiro, ela põe. Da mesma maneira que poderia aplicar-se á ordem que ela acha que as coisas tem de estar na casa, ao facto de não fazer reciclagem por não gostar de ter lá os diferentes recipientes espalhados, ao eu ter a certeza que a irrita profundamente eu ter os meus cremes e produtos para o cabelo em cima do lavatório do WC e não dentro do armário, como ela tem os dela. Mas estou agora , desde ontem e até domingo, com a casa só para mim. Fazia já um ano que não estava habituada a dividir casa com outra pessoa, e o bom que é poder chegar e deixar os sapatos no corredor, colocar a minha música no volume que eu quiser, poder fazer o que quiser, quando quiser, é impagável. Pergunto-me quando é que terei um salário suficientemente confortável para poder pagar o meu próprio T1, sem ter que o dividir com mais ninguém. Pergunto-me se isso algum dia acontecerá ficando em Portugal ou quantos anos mais terão que passar.