sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Foi o título que me levou a este blogue

...é assim que vou muitas vezes dar a blogues novos, pelo título. E este captou-me imediatamente a atenção por isso mesmo, atraiu-me nele. E nos últimos tempos, mais do que o habitual, as palavras dedicadas na crónica "Meu amor" tocam-me mais fundo. Como estas aqui, por exemplo.

"Estou aqui. Do outro lado do mundo, à tua espera.
Para lá de mares e de terras, de rios e de florestas, de gentes estranhas… à tua espera.
Anseia nos meus dedos, enquanto te aguardo, a saudade do toque dos teus. Conto por eles as horas para saber de ti, os dias para te [re]ver. Para me voltar a aninhar nos teus braços e o tempo parar. Como nos livros. Tu [Meu Amor] és o meu segredo."

Daqui

Da chegada e da partida

Fez ontem uma semana que te fui receber ao aeroporto. Nunca tinha estado nas chegadas de um aeroporto. Muitas vezes a minha mãe dizia-me que não se importava de esperar por mim no aeroporto porque adorava ficar a ver as reacções dos amigos e familiares que recebiam alguém nos braços. Até agora fui sempre eu a chegar, a ter alguém para me receber. Mas, na minha primeira vez na porta das chegadas, não estava feliz ou a sorrir expectante como todos os outros lá àquela hora. Aliás, devia ser a única que tinha os olhos marejados.
Recebi-te e, quatro horas depois fui-te levar às partidas. Nunca vi o aeroporto tão vazio, nunca me senti tão incerta sobre o que dizer: até amanhã, até breve, até sempre, até talvez nunca mais...
Mais um abraço, e finalmente aí vais tu. Não olhaste para trás, a parede interpôs-se no caminho quando o ias fazer. Não voltei a cruzar os meus olhos nos teus. Os meus olhos ainda marejados. Respirei fundo e parei um instante no meio daquele não-lugar vazio e silencioso. Depois dirigi-me à saída, apanhei um táxi. Quando olhei os aviões pela janela do carro já não tinha os olhos molhados. E, estranhamente, uma sensação predominante que nunca pensei sequer que pudesse lá estar : alívio. Um estranho mas libertador alívio.

Sexta-feira

Esta semana passou a correr mas estou exausta. Tenho dormido pouco e mal, comido ás pressas, esquecido o tempo de lazer ou de relaxe apenas. Ainda para mais agora meti-me numa formação aos sábados, que me vai ocupar todos os sábados do mês e obrigar-me a levantar ainda mais cedo do que num dia normal de trabalho. Faço-o porque é gratuita e fico com um certificado que pode vir ( ou não) a ser útil para a minha área. Mas vou chegar a Dezembro de rastos. Ao menos vou andar ocupada, sem grande tempo para pensar, ou sentir.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Finalmente algumas imagens





Se pudesse ia já hoje de novo!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Une petite histoire :)


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Se há coisa para a qual não tenho talento é para ficar sentada o dia inteiro, dias sucessivos agora desde há pelo menos umas duas semanas, sem nada para fazer. Mas absolutamente nada!
Há colegas que lêem os procedimentos vezes sem conta, há outras que organizam o arquivo o dia inteiro. Eu, depois de fazer isso na segunda-feira, por exemplo, não consigo voltar a fazer na terça, quarta e por aí fora. Não consigo fingir que trabalho ou não ter cara de entediada quando estou de facto. Por isso já não me importo que os chefes passem e eu tenha as páginas da internet abertas.

Se este ritmo de pasmaceira se mantiver acho que dou em maluquinha.
Ainda para mais temos um sistema de picar o ponto que não permite nem um minuto a menos nas 8 horas diária que temos que cumprir. Sinto-me parte do grande processo de estandardização de Ford! Temos clientes, nos países do Norte da Europa, que entram ás 8h da manhã mas saem ás 15 horas. Países com muito mais produtividade que Portugal. Não será este um factor importante? Aliás porque é que em França a mesma empresa tem uma política de 7 horas de trabalho, e aqui é uma hora a mais? Não me importo de ficar mais tempo quando o trabalho o justifica, mas quando o volume é quase inexistente, agradecia que me deixassem ir embora pois sinto-me a cumprir uma pena. Para piorar, o ambiente em Lisboa é bem pior que em Paris, não há a mesma camaradagem nem pausas para café de antes. Tens mesmo de ficar caladinha na secretária a fingir estar ocupada com algo. E eu tenho uma vocação péssima para esse tipo de trabalho. Que é também o tipo de trabalho que te deixa com atrofios musculares da horas agarrada ao rato.

sábado, 6 de novembro de 2010

Time, it can not break the bird´s wings from the bird.
Bird and wing, together, go down in one feather.
No thing that ever flew, not the larck, not you,
Can die as others do.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

4 de Novembro de 2010

Hoje é o dia que traça os nossos destinos:o final de tudo ou o começo de uma nova fase. Não há meio termo. Eu sou uma pessoa de preto ou branco e sei que, desta vez, não há intermédios. Se somar as probabilidades está tudo irremediavelmente contra nós. Ainda que saiba que não é a primeira nem a segunda vez que batemos as probabilidades. Mas desta vez porque é que o meu coração está tão mais inclinado para a primeira hipótese? Intuição, pressentimento, realismo ou pessimismo. Vou ter que esperar para saber, mas desta vez queria apenas poder fazer fast forward.

Bublé

Foi do caraças! O concerto! Além da voz dele ser aquilo que se ouve nos cd´s, límpida e segura, saí de lá a achá-lo um tipo que deve ser porreiro a sério, sem falsos vedetismos ou tiques de estrela. É um entertainer, como ele próprio se denominou, na mais pura ascensão da palavra. Fala imenso com o público, acho que nunca estive num concerto onde o artista conversasse tanto com a audiência. Quase que faz stand-up comedy e provoca a gargalhada fácil num pavilhão Atlântico repleto até ao tecto. É giro, tem aquele sorriso desarmante e um charme nos deslizares sucessivos que vai dando pelo palco. Tem uma voz que se pode ouvir horas a fio, seja a cantar ou a falar. Diz " I promise you" this or that a lot! Distribuii beijos, simpatia, elogios ao público. Muitos! Lisboa foi o final de uma tour de 93 concertos em 37 países e quando disse o típico "Foram o melhor público até agora", acredita-se que sim. Pela maneira como o repetiu muitas vezes e porque já estive em concertos em outros países da Europa e um público estático e paradinho é o que mais há para aí. Prometeu que quer voltar em breve, não no próximo álbum como lhe disse calmamente o produtor quando ele lhe telefonou eufórico mas bem antes disso, no próximo Verão. Confessou que não sabia nada de Portugal, nem onde ficava, desculpou-se por isso dizendo "Come on, I am canadian", ainda que apetecesse responder que somos portugueses mas sabemos onde fica o Canadá, não temos é culpa da péssima geografia dos americanos e canadianos em geral. Diz que ficou fã da cidade e dos shoppings!

Cantou os grandes hits e imitou até Michael Jackson de mão na virilha e tudo, mas faltaram muito mais músicas. O palco fazia lembrar os concertos dos anos 40 ou 50. E o ponto alto, para mim, foi aquela música final, em que aparece ele no palco com as cortinas corridas e canta à capela, sem microfone, sem instrumentos, apenas a voz dele nua num Atlântico silencioso e reverencial. Se ele voltar em breve, como promised, eu vou lá estar. Nos lugares da frente desta vez. Caros, mas há coisas que são uma vez na vida, e poder dar um beijo ou apertar a mão ao MB vale a pena.
Ontem á noite enquanto via o telejornal, dei por mim a pensar na surreal classe política que nos governa. As sessões na Assembleia da República são dignas de um grupo de adolescentes sem argumentação credível. Então o TGV é necessário porque nos vai ligar à Europa, senhor primeiro ministro? Mas será que espera que alguém acredite nisso? Com tudo o que se está a fazer para piorar condições da classe médica, alguém acha necessário que o TGV possa trazer algum benefício, mais do que acabar de esvaziar os cofres em benefício apenas da empresa com quem se fez o contrato?!

Depois é ver os partidos da oposição, cada um a puxar a brasa á sua sardinha conforme lhe convém, sempre a atacarem-se sem nunca colaborarem em nada que possa ser um plano concreto e útil para tirarem o país da miséria onde anda arrastado aos anos. Enche o saco vê-los atacarem-se como beatas em praça pública. Não era suposto estarem aí para fazer algo mais do que andar aos insultos de forma eloquente?! Isso aprende-se na retórica e na semântica e parece-me a única coisa que estes senhores andam ali a fazer, a treinar a arte do insulto público.

Tiram fotografias de telemóvel ao orçamento assinado e o Ministro das Finanças diz que só tem pena de não ter uma foto oficial daquele momento. Dá vontade de chorar quando se ouve e vê a seriedade com que dizem estas barbaridades! Se o PSD aprova o orçamento está a dar a vitória ao PS acusam os militantes! Poderiam ser mais transparentes?! Ao menos disfarcem a sede de poder e em como se estão nas tintas para Portugal. Se bem que, para quê mesmo?! Já fazem quase tudo ás claras, debatem os argumentos mais absurdos e ninguém faz nada. Não há nenhum movimento que venha acabar com este circo?! Estão a gozar com o povo e o povo a deixar-se ir serenamente. Reclama nas conversas de café, debate na mesa do jantar, mas continua o dia-a-dia sem fazer mais do que até agora. Depois vem o PR dizer que está preocupado com a impaciência que vê no povo. Oh senhor Cavaco, quem cá dera graus gigantescos de impaciência e revolta popular!