segunda-feira, 18 de outubro de 2010


Não li o livro. Desconfio sempre muito quando há uma febre enorme á volta de certos fenómenos e depois de ver o livro anuncio na Oprah mais de 20mil vezes, Fui ver pela curiosidade de ser uma estória real, baseada na experiência de uma mulher em busca de si mesma. Não gostei por aí além do filme. A parte italiana é uma das melhores do filme, rica visualmente e a fazer salivar os espectadores. Mas o resto podia ser melhor explorado, sobretudo na parte inicial em que vemos uma Liz Gilbert insatisfeita com a sua vida, mas sem que a narrativa se detivesse demasiado a explorar essa insatisfação. Ela parece encetar a ideia da viagem quase por um capricho, após o novo namorado dar sinais de que começava a estar cansado dela. Mas a verdade é que, não lendo o livro, não posso criticar o filme aí por diante.
Também eu adoraria tirar um ano sabático de descoberta de mim mesma, de reavaliação. Infelizmente não sou uma americana bem sucedida que se pode dar ao luxo de gastar todas as poupanças quem tem para viajar e meditar durante um ano. Aliás, quem se pode dar a esse luxo?

O mais pungente no entanto, são as coincidências e acasos de uma estória real, em que a busca pelo amor, ou o encontro do amor como ponto de equilíbrio, está no centro de tudo e movimenta tudo.
A vida é afinal as pessoas que encontramos, que cruzam o nosso caminho. E o que dá sentido á vida é ter alguém com quem a dividir, é ter algo que nos faça suportar a rotina incansável dos dias e das semanas que, na sua maioria, passam iguais, uneventful.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Últimas imagens de Paris













Ora então, de todos os produtos, as ostras não pagam mais!!

E até as plantas e as flores passam a pagar imposto!

Interesse público para quem?!

O nosso executivo faz o que quer e lhe apetece. Invoca leis conforme lhe convém, publica outras se não havia legislação que o permitisse, rejeita leis que não lhes servem os propósitos, revoga decisões do Tribunal por um interesse público que qualquer pessoa iria contestar. Onde é que parámos este abuso?! Quando é que somos um bocadinho menos conformistas e mais reactivos, ou será que o português adora que lhe usurpem os direitos e deixem que um grupo de homens com interesses próprios desfaçam dos nossos destinos como mais lhes aprouver?!

O estado da Nação. Uma palavra apenas: tristeza!

Eu que, antes destas andanças no concurso para presidente da república, até era super fã deste senhor - aliás, um dos meus livros preferidos é dele - pergunto-me se não haverá nada mais importante para ele chamar à atenção. Pode ser desleal da parte do Cavaco, mas who gives a damn?! Ele que contrate criancinhas também se acha que lhe dá boa figura. Com tudo aquilo que se está a passar no país é uma pena deterem-se em assuntos tão fúteis.

A rapidez de Hollywood em agarrar uma boa história é desconcertante.

Até já tem protagonista disponível e pensado a dedo! Se a história tivesse tido um desfecho infeliz será que iam usar a desgraça alheia da mesma maneira?!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Recomeço

Moro a 10minutos do trabalho ( a pé). A casa é um T2, sem sala. O quarto é pequeno e a vista é quase nula ( é um rés do chão). A cama é individual e eu dormi quase a minha vida inteira em camas grandes. Gosto do espaço. A arrumação praticamente inexistente, ainda tenho camisolas na mala e eu estou cansada de viver com malas a servirem de cómoda. Não tenho um sofá. Tenho uma Tv emprestada que apanha os 4 canais generalistas. Para apanhar rede de telemóvel é o cabo dos trabalho, tenho de falar ao telemóvel à janela. Em relação á internet idem aspas, vou devolver a placa da Vodafone e experimentar a da Optimus porque já não tenho internet tão lenta desde que ela surgiu e eu a utilizava no liceu. A renda inclui as despesas, mas não a internet nem Telefone, nem Tv cabo. É cara, mas estou a pagar a localização.

A grande vantagem é, de facto, morar tão perto do trabalho. Tendo em conta que tenho que entrar entre as 8h e as 8h30 da manhã é uma grande coisa pois evita que acorde de madrugada e ainda posso vir almoçar a casa. Outra coisa boa é que tem rádio incorporado no quarto e na WC, o que é óptimo para quando quero tomar banho com música. Mas no geral estou cansada de mudar de casa e, sobretudo, não me sentir em casa.

Depois de no ano passado ter mobilado uma casa só para mim, custa voltar a dividir um espaço, voltar a reduzir ao máximo as coisas que se vão acumulando, ter as coisas que comprara arrumadas em caixas, à espera. Por vezes a vida assemelha-se a um grande exercício de espera.

sábado, 9 de outubro de 2010

Wanted
























Estou desolada! Perdi a minha bolsa de maquilhagem que, especialmente depois de Paris, devia ter dentro um bom dinheiro investido! Isto de andar com malas de Paris para Lisboa para Viseu, no mesmo dia pode ser complexo e a bolsa de maquilhagem foi a baixa de guerra. Tinha lá tudo! Mas tudo! Inclusive produtos da Benefit que comprei bem mais baratos em Paris porque tinha desconto. Agora nem um rimelzito tenho, uma sombra de olhos, um pincel, e eu que nem uso muita maquilhagem...sinto-me despida...grande sorte se foi uma mulher a encontrar tudo! Agora vou demorar uma eternidade até reconstituir a minha colecção. Não é justo perder o coração e as coisas que me faziam sentir mais bonita na mesma semana!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Esta semana aprendi três coisas importantes:

- Não gostar mais de alguém do que esse alguém gosta de nós

- Não fazer sacrifícios ou cedências se suspeitamos que se fosse ao contrário não o fariam por nós
- e sobretudo, não desperdiçar energia em coisas que estão fora do nosso controlo.


Agora só tenho que aprender a fazer isto.

Foi uma cena de filme...consigo ver-me como se estivesse de fora de cena. Consigo ver-me a sair pela manga do avião, aflita com o peso das malas, feliz por estar em Lisboa por fim. Consigo ver-me quando liguei o telemóvel e o voltei a por no bolso à espera que apanhasse rede. Sabia que devia ter mensagens, e estava expectante por essas mensagens, queria que me fizessem sentir bem-vinda, que me deixassem a sorrir. Lembro-me do meu sorriso esboçado quando ouvi o toque da mensagem, lembro-me de estar a caminhar naqueles corredores envidraçados, os aviões estacionados lá fora. Consigo ver o meu rosto quando abri a mensagem, á medida que o sorriso se foi esbatendo. Cada frase foi como um murro no estômago, um, pausa...continuo a ler...o segundo...pausa...não pode haver mais nada, não pode...três.

Fiquei sem chão nos pés. Não me lembro se parei se continuei a caminhar, não me lembro como fui levantar a bagagem, não me lembro do sorriso da minha mãe ao receber-me. Só queria ficar abraçada naqueles braços e chorar, voltar logo ali para trás e apanhar o avião de regresso.

Desde sexta-feira, dia 1, o dia em que regressei a Lisboa, em que sabia que muito ia mudar, fiquei sem mundo, sem chão, sem pé. Foi uma bomba que rebentou assim que toquei Lisboa. E a decepção, o choque tão grande que pensei que fosse morrer, em que quis (quero) morrer. O que dói mais é a decepção, o saber que nunca mais vou olhar as coisas da mesma maneira. Saber que a cabeça vai andar mais baixa, o sorriso fechado, os olhos tristes, desconfiada, amarga. Nunca pensei que, de todos, Ele, fosse quem me ia estilhaçar o coração. e, sobretudo, quem me fosse tornar numa pessoa tão feia. Isto, eu, nós, por tudo o que passámos, não merecia.
E de tanto bater o meu coração parou.