segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Coisas das quais nao irei sentir falta

Do atendimento nas lojas.

Hoje entao fiquei piurça na Zara. Nao so a menina dos provadores era de uma antipatia incrivel, parecendo furiosa pela roupa que tinha de dobrar, como, quando fui perguntar se havia uma saia num tamanho mais pequeno, nem bonjour, nem sorriso, nem direito a um olhar de atençao tive sequer, levei sim foi com a seguinte resposta rispida: 'Senao esta ai è porque nao hà'. Como se nao houvesse armazem e como se eu ja nao tivesse trabalhado numa Zara para saber como a coisa se processa quando se esta demasiado farta de ir a armazem. Mas esta resposta tinha uma arrogancia e uma impertinencia que me deixou com vontade de responder à altura. Normalmente quando reclamo consigo afastar-me do facilitismo de mandar uma asneirada em portugues, mas hoje saiu-me um f***-** os franceses e virei costas antes que me passasse. Evidentemente sai da loja sem comprar nada.

Tambem ja aconteceu ir a uma Fnac, pedir um conselho sobre um produto e ouvir 'Voce è que deve saber'.

Ou o V. que, quando foi a Torre Eiffel se deu conta que tinha pago bilhete ate ao segundo andar mas recebido um que lhe dava apenas acesso ao primeiro. Voltou para tràs e educamente chamou a atencao para o erro, mas recebeu inves uma funcionària que se pos a contar o dinheiro em caixa e lhe disse que estava dinheiro em falta e nao a mais. O nome dela foi directo para o livro de reclamaçoes e o V. conseguiu entrada VIP e ultrapassar as filas todas directamente atè ao topo.

Talvez estejamos mal habituados em Portugal mas acho inadmissivel o mau serviço, a cara fehada, a antipatia e pouca prestabilidade dos empregados das lojas, cafes e generalidade dos serviços, turisticos ou nao. Especialmente quando dependem do publico.

Desculpem pela falta de acentos, mas continuo com o pc emprestado. Jà mandei vir os cds do meu Toshiba de PT em correio azul e registado. Uns 3 dias, foi quanto disseram que ia demorar. Jà faz hoje uma semana. Palpita-me que ai vai mais uma reclamaçao, especialmente quando pago mais por um serviço cuja finalidade nao è de todo cumprida.

sábado, 18 de setembro de 2010

Till it happens to you

Costumava haver gestos tao simples, gestos que quase nao se dava conta no dia-a-dia. Pousavam leves como um beijo no rosto, uma caricia no ombro a meio do dia e que nos fazia sorrir. Coisas simples, banais quase. Que damos por asseguradas porque faz parte, sempre fez afinal. Que faziam o dia ser melhor, por esse mesmo gesto banal, mesmo quando nao nos apercebiamos da sua importancia.

Quando nos começamos a dar conta è quase sempre quando essas pequenas coisas comecam a desaparecer, a pouco a pouco. Primeiro è a frequencia que diminiu, depois a ausencia instala-se. Aquele beijo roubado a meio do trabalho quando nem è suposto atender o telefone. Aquele extra esforço que se faz para se poder estar junto no final do dia. Passa so a ser possivel se der, se as circunstancias permitirem. O imperativo è substitudo pelo condicional, o 'vou, estou, quero,' pelo 'tentar, gostava, queria' . Passa a haver muitas explicaçoes, desculpas e justificacoes para quase tudo. O motivo por que jà nao se liga a meio do trablho è porque se està a meio do trabalho e se pode falar depois. Nao tem nada que ver com a falta de vontade, nao tem que ver com nos lembrarmos da outra pessoa. Nao, nada disso. às explicacoes mais que logicas junta-se a negaçao do obvio. Tudo è mais racional, nada è uma avalanche de sentimentos mais. Instala-se o comodismo . Se der deu, se nao der fica para a proxima, se nao for hoje è amanha. Nada è grave.

'Mas eu gosto de ti'. Nao è mentira. Gosta-se. Mas perdeu-se o resto e nem se deu conta. Nao se sente a falta, nao se da conta dessa falta dos telefonemas por exemplo. E doi, doi tanto, quando a pessoa que antes precisava desses mesmo gestos para saber que tinha ali algo especial, agora acha as pequenas queixas um exagero, uma picuinhe, mais algo que serve para arranjar um problema. A mesma pessoa que antes sabia na hora o que queria dizer, agora parece uma outra a quem nao sabemos para onde foi a personalidade de antes. E depois, claro, tudo tem explicacao, tudo è racional e obedece ao bom senso. Faz sentido afinal. Pra que ligar a meio do trabalho para um beijo rapido quando se pode ligar depois? Entao porque è que sabia tao bem quando se roubava esses dois minutos de telefonema?! Explica-se isso tambem?! E se era bom, porque nao se faz?! Explica-se tambem?! Sem essa de que se esta a trabalhar ou nao ha saldo. Isso acontece todos os dias? 'Ainda nao ha muito tempo te liguei no teu aniversario'. Um no na garganta, um no tao grande

Os dias vao passando. Ha horas tao pesadas.Horas em que se torna tao claro, tao claro para alguem como eu pelo menos. Que nunca fui à bola com a historia de que o amor acalma e a rotina tem de se instalar a algum ponto, ou que hà coisas que tem que terminar so porque passou um determinado tempo. Gestos que deixam de existir. Nada disto è inofensivo, ao contrario do que ele julga. Um dia olho e ja nao vejo nada, um grande, negro pedaço de nada. Um dia os meus olhos so vao ter tristeza e desilusao. Sinto-me um bocadinho mais velha, mais adulta. Continuo è a ser ingenua ao acreditar que quando è mesmo aquilo, as coisas boas nunca mudam, hà coisas que se continuam a fazer a vida toda. Mas a vida mata o amor, como escreveu o MEC. Eu ja tinha sido avisada quando li o seu texto, ja sabia . A vida mata o amor. Mas so e real quando nos acontece a nos.

I know what I said
Was heat of the moment
But theres a little truth in between the words we've spoken
Its a little late now to fix the heart thats broken
Please don't ask me where I'm going
Cause I don't know
No I don't know anymore

It used to feel like heaven
Used to feel like may
I used to hear those violins playing heart strings like a symphony
Now they've gone away
Nobody wants to face the truth
But you wont believe what love can do
Till it happens to you

Went to the old flat
Guess I was trying to turn the clock back
How come that nothing feels the same now when I'm with you
We used to stay up all night in the kitchen
When our love was new
Oooh love I'm a fool to believe in you
Cause I don't know
No I don't know
Anymore

Nobody wants to know the truth
Until their hearts broken
Don't you dare tell them
What you think to do
Till they get over
You can only learn these things
From experience
When you get older
I just wish that someone would have told me
Till it happens to you

Corrine Bailey Rae

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Do regresso

Faltam pouco mais de duas semanas para deixar Paris e regressar a Lisboa. Os seis meses voaram. Deixo tanta coisa para ver, para fazer nesta cidade 'a qual vou ficar presa Tinha uma lista de coisas a ver que vai ficar quase preenchida, mas fica ainda tanta coisa. Gosto de deixar as cidades nas quais vivi assim, com listas incompletas de coisas a fazer, motivos pelos quais regressar.

Com Paris perfaz 7 as cidades nas quais ja vivi, 4 em Portugal, 3 no estrangeiro. Foram 13 casas ao longo dos anos, 13 casas nas quais morei, que decorei, das quais gostei ou nao, das quais me despedi, cada uma com um cheiro, uma recordacao.

Paris vai deixar saudades. Mesmo a forma de trabalhar c'a vai deixar saudades. La diz-se que 'e menos descontraido, mais severo e rigoroso. E na verdade nao tenho grande coisa para a qual voltar em Lisboa. Ja nao tenho um lugar ao qual chamar casa la. Saio de um quarto de hotel aqui para ir morar noutro quarto. A unica grande diferenca è que posso ir a casa nos fins-de-semana, rever os amigos com mais frequencia. E tenho a certeza que Lisboa me vai parecer tao pequena agora. Aconteceu o mesmo com Coimbra, quando voltei de Roma. As paixoes maiores engolem as mais pequenas e depois parece que ha um encanto que se quebra. è normal estar quase a regressar e ter esta vontade de partir de novo?

Coisas das quais vou sentir saudades

De me limparem o quarto uma vez por semana e nao ter de fazer limpezas ha meio ano, do ritmo de Paris, de haver sempre algo a acontecer, das pessoas bonitas,bem vestidas que se cruzam a cada esquina. De procurar no ceu a Tour Eiffel iluminada, Montmartre ao sabado de manha, Cafe em St Germain des Pres; falar françes, falar ingles, falar italiano. Da mistura de nacionalidades. Das after works a 15 euros, dos homens bonitos nas Tuileries, de nao ter que me preocupar com o saldo do cartao de crèdito.

Por outro lado...

Nao vou sentir falta da lavandaria, do metro sujo e malcheiroso, das constantes greves dos transportes, do apart-hotel onde moro, dos franceses xenofobos e irritantes, rudes e mal-educados. Da multidao de gente, a qualquer hora, em qualquer lado, deste clima inconstante.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Na mesa de cabeceira

Depois deste livro - e ja nao lia um romance assim ha tanto tempo, que me prendesse as paginas e me fizesse ficar a le-lo ate as 4h da manha porque e impossivel parar - comecei este, do mesmo autor.

Um livro a folhear

Entretanto, ao ler o Ipsilon descobri este projecto. Entre 1997 e 2003 o autor percorreu os metros de Londres, Moscovo, Sao Paulo, Atenas, Cairo, Berlim, Lisboa, Estocolmo, Tokio.

' Lisboa foi, até mais do que Moscovo, a cidade onde o metro transportou as caras mais tristes', diz o autor Surpreendente, ou talvez nao?! A versao online aqui!

Desculpem os erros mas neste teclado nao consigo colocar os acentos e nao tenho tempo para ir corrigir em word!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A S. salvou-me a vida. Emprestou-me um pc velhinho que me vai mante sa enquanto o cds para formatar o meu portatil nao chegam via correio. O teclado e em frances, por isso nao ha acentos, mas e bem melhor que nada. Ola mundo de novo!

sábado, 11 de setembro de 2010

Como um mal nunca vem só...

As semanas de férias foram tão boas e tão tranquilas que coisa boa não podia estar ao virar da esquina. Desde que voltei tem sido um azar atrás do outro, sendo o maior deles todos o coma do meu Toshiba, o meu adorado e `can´t live without´Toshiba.
Do nada bloqueou e quando tentei reiniciar de novo, dá um erro da aplicação lass.exe e não inicia sequer, fica ali naquele ecrã negro, com a seta do rato. Pelo que ví deve ser vírus e há maneira de o remover, se ao menos conseguisse entrar no sistema. Mas não tenho cds de arranque ou de formatação (já não me importo de perder as fotos, só quero é a minha conexão de volta). Vaí daí bota de tentar encontrar uma loja de reparações em Paris, o que não é tarefa fácil, ao contrário do que parece. Como deve ser vírus diz que só serviço de domicílio, ao que acresce logo uma taxa de deslocação massiva. Não compensa, quase vale mais comprar um novo. E sendo que daqui a 3 semanas estou de volta a PT, prefiro comprar lá, ao menos fico com um teclado com todos os acentos e pontuações.
A última tentativa vai ser passar o disco para uma caixa externa, para a ligar a um outro pc e ver se consigo remover o sacaninha dessa forma. Quem perceber alguma coisa disto é muito bem-vinda a ajuda! Sei que deve ser um vírus chamado Sasser, e que nem em modo de segurança consigo entrar. Nos últimos dois dias li uns quantos fórums sobre o assunto mas nenhum dá uma solução para quando este vírus nem deixa entrar no pc.
O meu desespero é grande e cresce a cada dia em que entro no quarto e não posso nem ouvir música, ou ver um filme, ou consultar o e-mail, ou falar com ninguém; estou isolada tipo monge no meu quarto, e é só nestas alturas em que se dá conta de como estamos dependentes, ainda mais nesta situação, em que conto com o pc para tudo basicamente.
Para cúmulo, também não posso dar grandes passeios porque o pé que magoei nas férias voltou a piorar. Fui ao médico ainda em Pt, receitou-me um anti-inflamatório para tomar durante 10 dias, o qual tomei nem 48 horas porque me deu cabo do estômago e me deixou as mãos com tremores. Parei a medicação e não voltei ao médico porque não deu tempo. Claro que agora está a piorar e só com novo medicamento a coisa irá ao sítio. Estou, portanto, com mobilidade reduzida, confinada ao meu quarto sem qualquer distracção possível, a não ser um livro. Faltam 3 semanas para ir embora e, de repente, são 3, trés, trés longues semaines. Não sei se não será desta que corto os pulsos!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

4 dias depois de ter aterrado em França, voilá! Constipaçãozinha de boas vindas, não falha! Já quando aqui cheguei em Abril ressenti-me da poluição e do clima e a primeira coisa a sofrer é a minha garganta. Agora juntou-se febre e a constipação evolui para gripe. Culpa do ar condicionado. Isto na primeira semana em que estamos em mini-Lisbon, ou seja, uma situação em que simulamos estar já a trabalhar em Lisboa, a voar solo e sem poder contactar com os colegas que estão mesmo ao fundo da sala. Sem contacto físico, só podemos telefonar ou mandar e-mails. Telefonar quando nos conseguimos olhar de frente e ouvir o outro ali do lado do telefone. Não me habituo!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A propósito da lei da imigração em França

A propósito das novas leis de imigração adoptadas pela França, deixo o comentário que transcrevo mais abaixo e que vinha no artigo publicado no Expresso online de hoje. Não podia estar mais de acordo.
Não concordo com as manifestações a favor dos ciganos que foram mandados para a Roménia, foram voluntariamente e com 700 euros no bolso. A maior parte deles não trabalha e recebe subsídios, casa e ajudas sociais. Não querem fazer parte da sociedade, vivem à sua margem e ainda reclamam que a mesma sociedade lhes conceda mais privilégios. Sou da opinião que, para preservar certas liberdades na Europa tem que se proteger a nossa identidade e restringir a de quem vem por mal.

"Se atravessares a fronteira da Coreia do Norte ilegalmente, és condenado a 12 anos de trabalhos forçados.
Se atravessares a fronteira iraniana ilegalmente, és detido sem limite de prazo.
Se atravessares a fronteira afegã ilegalmente, és alvejado.
Se atravessares a fronteira da Arábia Saudita ilegalmente, serás preso.
Se atravessares a fronteira chinesa ilegalmente, nunca mais ninguém ouvirá falar de ti.
Se atravessares a fronteira venezuelana, serás considerado um espião e o teu destino está traçado.
Se atravessares a fronteira cubana ilegalmente, serás atirado para dentro de um navio para os E.U.A.

MAS ... Se entrares por alguma fronteira da União Europeia
ilegalmente, SERÁS OBRIGADO A TER:

Um abrigo ...
Um trabalho ...Carta de Condução...
Cartão Europeu de Saúde...
Segurança Social ...
Crédito Familiar ...
Cartões de Crédito ...
Renda de casa subsidiada ou empréstimo bancário para a sua compra ...
Escolariedade gratuita ...
Serviço Nacional de Saúde gratuito ...
Um representante no Parlamento ...
Podes votar, e mesmo concorrer a um cargo público ...
Ou mesmo fundares o teu próprio partido político !

E por último, mas não menos importante, podes manifestar-te nas ruas e até queimar a nossa bandeira, e: SE EU TE QUISER IMPEDIR, SEREI
CONSIDERADO RACISTA ! .......

... SEM DÚVIDA QUE PARECE IRREAL, MAS É A MAIS PURA DAS VERDADES !!
"

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

2 semanas de férias = 227 e-mails na minha caixa de correio. E as organizações ainda não terminaram hoje.

domingo, 5 de setembro de 2010

There´s no place like home






Estas férias rejuvenescerem-me, fizeram-me bem à cara, à pele, à alma...custa regressar, deixar este sol que aquece cá dentro, este aconchego.

Estou de volta a Paris. Fui recebida com sol também e com o cheiro a rosas. até chegar ao hotel, pelo menos, onde cheira a detergente de limpeza nos quartos...agora é entrar em contagem decrescente até dia 1 de Outubro.