domingo, 20 de junho de 2010

Imagens do fim-de-semana





A leva de desiludidos

'Os 100 mil portugueses que emigraram entre 2007 e 2008 foram a primeira leva de desiludidos. A emigração política dos 60 acabou. As malas de cartão dos 70 também. As Linda de Suza de hoje trabalham em consultoras e empresas, são quadros jovens e promissores, gente com sonhos. Estão mais bem preparados mas nem por isso serão mais bem acolhidos. A livre circulação de pessoas esbarra nas novas reticências de uma Europa socialmente falida e incapaz de alargar o chapéu- -de-chuva social a todos. '

Ainda a propósito do e-mail xenófobo luxemburguês, este editorial do I de sexta-feira, ilustra bem as novas gerações de emigrantes que tem que lidar com os preconceitos e esteréotipos contra Portugal e os Portugueses.
A nova geração de emigrantes portugueses ja não é analfabeta e iletrada como a da geração de 60. São igualmente esforçados e ambiciosos, melhor preparados, capazes de falar duas ou três línguas fluentemente. É uma geração inteira desiludida com o país, onde nao vêem esperança ou oportunidade, nem hoje nem daqui a um ano. Nao é de admirar, num país pejado de dívidas e que cada vez mais corta direitos contra o trabalhador, em função de ainda mais medidas favoráveis para as empresas. Facilitam despedimentos, recibos verdes, contratos temporários, horários de trabalho alargados, horas extra sem a remuneração devida, precariedade...e depois de todos os descontos para o fisco todos os meses o que é que se usufrui? Serviços de saúde e eucação de má qualidade, burocráticos e demorados, transportes publicos cada vez mais caros, e por aí fora. Eu, se pudesse, ja nao regressava. ça c ' est sure!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Não me chegou como um assombro de espanto este e-mail que andou a circular no Luxemburgo. Quando lá morei, faz mais de dois anos, a opinião que os luxemburgueses têm dos portugueses não é a melhor e eu, muito sinceramente, não os culpo. Confesso até a minha vergonha quando tinha que revelar a minha nacionalidade. Sim, não era orgulho, era vergonha mesmo. Os portugueses com quem todos os dias me cruzava na rua falam alto e cospem para o chão. Dizem palavrões e atiram lixo no passeio. São brejeiros e pedantes. Falam sempre em português entre eles - curioso é que quando vêm a Portugal de férias falam sempre num françês pontuado pde palavrões em português - e são relutantes a aprender o luxemburguês, língua que o Grão Ducado tenta a todo o custo manter viva com aulas gratuitas.

O luxemburguês comum nao gosta de falar françês, fala alemão e luxemburguês. O françês é a língua dos emigrantes, a língua que o país adoptou aquando da grande leva de emigração nos anos 60 porque era mais fácil de aprender. O Luxemburguês comum é recatado e comedido, gosta das suas regras e de as fazer cumprir. O Português é todo o oposto. O luxemburguês orgulha-se das suas raízes e vê com desaprovação a invasão de mão-de-obra estrangeira que lhes roubou a identidade, mas que é necessária para fazer progredir e funcionar o Grão-Ducado. A verdade é que sempre achei o Luxemburgo um país sem identidade própria, não tem personalidade porque todas as influências chegam das suas fronteiras e da mistura de pessoas que o habitam. E é triste ver um país transformado numa salada de mistura, sem características próprias nem nada que o faça sobressair por ele mesmo.

É verdade também que não se pode generalizar e conheci muito português que saia fora destas regras mas que mesmo assim era discriminado. Bem sucedidos, educados, correctos, bem inseridos na comunidade. Um punhado de bons portugueses não compensa a fama que uma montanha deles tem vindo a deixar ao longo dos anos. É óbvio que não posso concordar com o teor do e-mail. É discriminatório e prejudicial. Só não me surpreende e, de alguma forma consigo compreender a sua origem. Da mesma maneira que em Portugal se inventam piadas e estereótipos com relacao aos emigrantes brasileiros ou ucranianos, apesar de generalizações deste género serem sempre perigosas. E em época de crise acentua-se mais a discriminação.

Saramago (1922-2010)

Apesar de todas as polemicas, um Senhor. E, para mim, um grande escritor.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dans Paris

Ele já se foi e a cidade ficou mais triste. Os últimos 10 dias passaram a voar e foram os melhores dias que tive aqui até agora. A companhia é tudo e uma cidade consegue ser muito mais magica quando a percorremos com quem nos diz tanto. O tempo não esteve soberbo, pelo contrário. É Junho e parece ser Outubro. Apanhámos dias de chuva, mas tivemos algumas abertas. Subi à Torre Eiffel por fim e comi macarrons Ladurée - não tem nada que ver com os restantes, são o equivalente a comer um pastel de Belém e comer um pastel de nata. Passeei-me pela cidade verdadeiramente como turista, de máquina ao peito e sandes empacotadas para comer em bancos de jardim, passeei-me de mãos dadas e fiquei um bocadinho ainda mais apaixonada por Paris.

Foi ontem...



...casa cheia. A voz dela é poderosa, percebe-se bem o porquê do nome "Florence + The Machine". O orgânico em primeiro plano, o fabricado tão apenas a acompanhar. O concerto durou uma 1h30m e passou a voar.

Nota negativa para o público no entanto, ainda que aplaudissem e chamassem pela banda, assim que uma música começava ficavam estáticos e silenciosos. Como é que é possível ir ver um concerto destes, em que a vocalista se mexe o tempo todo em palco, as músicas a transbordar ritmo, e ficar ali especado, direito e parado a olhar apenas? Foi tão ridículo que a Florence parou a "Dog Days" a meio para anunciar: "Ok, agora vou-vos ensinar um passo de dança: 1º movimento - saltar para o ar; 2º - abanar os braços no ar!" Literalmente isto. E os franceses assim fizeram, durante o minuto seguinte. Depois voltou tudo à imobilidade de antes. Eu pulei e cantei até ficar cansada, apesar dos olhares reprovadores da malta ao lado que se via que preferiam um vizinho mais silencioso num concerto. Este público é óptimo para uma casa de fados, não para um espectáculo assim.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Em Paris...

é comum cruzar-me com portugueses frequentemente. Inclusive com famosos portugueses. Na sexta cruzei-me com o André Sardet na passadeira da Torre Eiffel, em amena passeata com a família. Hoje no metro da Concorde cruzo-me com um dos irmãos Guedes, o Ricardo ou Pedro - não os distingo - acompanhado da namorada/mulher - acho que se chama Telma qualquer coisa, também modelo. Não sou fã de nenhum deles mas leio revistas e conheço as caras. Quer-me é parecer que Paris é, no fundo, uma grande vila.
É por estas e por outras que as novas gerações estão cada vez mais mal educadas, seja em termos de conhecimentos seja em personalidade. Com facilitismos destes ficam as crianças a achar que tudo se conquista sem esforço. Para quê?! Em prol de estatísticas de um governo que já esta mal visto faz muito tempo?! Depois, a ajudar a (má) educação que se dá nas escolas junta-se a educação dos pais que também não me parece muito melhor, hoje em dia os pais querem ser amigos dos filhos e não pais, não gostam de contrariar para não aborrecer, onde não se ensina a dizer "obrigada" e "se faz favor" ou "com licença". Que belo país se está a formar!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Só isto...

Paris é uma cidade muito mais, mas muito, mais bonita quando a percorremos ao lado de quem se gosta.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mais um ano que não vou estar...

Ando, de ano para ano, para ir aos Santos Populares em Lisboa. Moro em Lisboa há já uns dois anos e nesta altura nunca estou na cidade. Ainda não vai ser este ano. Sardinhas e romarias, guardem-me um lugar para o ano que vem, a ver se é desta!