sexta-feira, 26 de março de 2010

Sexta à noite

Le mec n`est pas la! Superb! Foi a uma conferência da ordem dos arquitectos e tenho a casa por minha conta até à meia-noite. Não vou sair. Vou colocar música alta (não demasiado infelizmente que os vizinhos não autorizam). Vou pôr uma daquelas máscaras verdes na cara e arranjar as unhas, pintadas de rosa , à menina, mimar-me. Comer gelado directamente da caixa, ver os episódios em atraso de Grey`s. Depois de 3 dias com 8 horas diárias de francês intensivo bem preciso de desligar, que já ando aqui a aparvalhar e a falar à emigra!

Amanhã compras para a viagem, passeio ao sol (espero) e jantar cá em casa com ementa gourmet! :) Adoro os fins-de-semana!
"A vida é uma complicada sequência de separações, um rumor de
mãos nervosas dizendo adeus. Abandonamos cidades, casas, corpos,
pessoas que amamos e pessoas que deixámos de amar, a solidão e o
companheirismo, as convicções e as fraquezas. Viver é dizer adeus constantemente a
si próprio."

Antonio Gala, El manuscrito Carmesi

O quanto eu procurei esta passagem! Encontrei-a no dito livro quando tinha uns 13 anos e apontei-a num caderno onde guardo poesias, um caderno que fica num baú da minha casa materna e que lá deixei ficar esquecido. Ultimamente lembrava-me muito destas palavras e apercebi-me que já não tenho o livro, apenas não sei mesmo o que lhe fiz. Mas tenho de o re-comprar ou reaver, pois recordo-me bem da impressão que estas palavras me deixaram na altura, faz dez anos. O peso da mensagem numa adolescente de 13, como se de repente estivesse perante uma lição de vida das mais verdadeiras. Não me enganei.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Preparativos

Dentista: Check
Análises e médico: Check
Bagagem: not even close!
Deixar os meus: coração cada dia mais apertado.

Viver fora tem obviamente vantagens e desvantagens e eu, que já o fiz algumas vezes, faço sempre um balanço positivo do resultado final. Mas o pior mesmo é deixar quem amamos para trás, ainda que por seis meses, ainda que a Easy Jet e a Ryanair facilitem viagens a meio, ainda que haja o skype. É deixar a casa que temos os dois sem saber se poderei voltar a ela daqui a seis meses. São todos os medos e receios de quem já passou por uma relação à distância por duas vezes e sabe demasiado bem o que custa. Porque ás vezes é ainda pior quando já se sabe exactamente ao que se vai e o quanto as saudades podem doer.

Entretanto já soube que não vou ter máquina de lavar roupa no apart-hotel onde vamos ficar e preve-se muita lavagem à mão e muito dinheiro gasto em lavandaria!

Hoje comecei com francês intensivo, que é sempre bom para recordar, mas tem a contrapartida de me fazer esquecer e baralhar-me o italiano. Logo agora que conheci o Francesco que me aceitou "treinar" quando falamos! No final do dia, com inglês, francês e italiano à mistura chego a casa e falo um português aldrabado. Faz-me lembrar os tempos de Erasmus, em que ás tantas falávamos uma mistura de tudo mas entendiamo-nos perfeitamente, lembras-te Mar?

Estou nostálgica pelo passado e tenho saudades do futuro, como dizia Pessoa. E um friozinho crescente na barriga ...

terça-feira, 23 de março de 2010

Oui, c´est vrai



Paris depuis la Printemps á l `Automne. Morar em Paris. Seis meses. A fazer um trabalho que me vai drenar. Sorrio e choro ao mesmo tempo. Vai doer, mas também vai ser lindo, pelo menos aos fins--de-semana! 3 semanas para a partida e tenho tanta coisa para fazer que me vai dar um esgotamento ainda antes de chegar.

domingo, 21 de março de 2010

So true!

O bem mais necessário nos dias que correm. Para o bem dos nossos próprios corações e para os dos outros. Tão pouco tempo, sempre em corrida contra o relógio. Era suposto a vida ser assim? Por vezes desejava ter nascido noutra sociedade, uma que já tivesse aprendido o valor do tempo.
A imagem foi retirada daqui.

E porque é dia da poesia...

Um dos meus favoritos

Pedro lembrando Inês

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: "Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?" Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passamos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice

Já é Primavera!








E para a aproveitar e ao sol magnífico que esteve hoje, passeio no Jardim tropical mesmo aqui à beira de casa, e que desconhecíamos. Com Museu dos Coches incluído e à pala! Domingo perfeito. Melhor, melhor só se amanhã não fosse dia de trabalho de novo!

sábado, 20 de março de 2010

Maravilhoso!

Estar de volta à peça que já acompanhei na estrada, poder levar quem eu mais queria comigo, alguém a quem já tinha descrito a peça vezes sem conta por telefone quando ele estava do outro lado do Atlântico e vê-lo dizer que era muito melhor do que o que estava à espera.

Rever pessoas que me são tão queridas, ver que a L. continua tão fantástica como sempre, o C. ainda se ri com as mesmas falas, ano após ano em que esta peça anda na estrada, o A. que não esperava rever e me olhou com surpresa e saudade. E descobrir que ainda hoje falaram em mim ao recordar as vezes em que era eu a colocar o som e a acompanha-los na estrada, num dos períodos que foi, definitivamente, dos mais felizes da minha vida. Descobrir que me recordam da mesma maneira que eu a eles. Em que o trabalho não era trabalho mas um privilégio. A vida é feita de escolhas e eu fiz a minha quando os decidi deixar e seguir outros voos. Não me arrependo, mas sinto falta, muitas vezes mesmo, de todo aquele ambiente. Mas ainda acredito que possa voltar a ter um trabalho em que seja verdadeiramente feliz e que me deixe tão boas recordações quanto este. Que nostálgica que estou...mas feliz.

É sábado finalmente

Depois de sessão de home cinema ontem com o filme "The time traveller´s wife" acordei tarde porque precisava mesmo de dormir mas agora já passa do meio dia e eu cheia de coisas para fazer. Ás vezes parece apenas muito difícil relaxar e conseguir ter tempo para tudo.

Logo à noite é tempo de ir despertar memórias doces e antigas, ao ir ver uma peça de teatro da qual já fui sonoplasta. Vai-me saber tão bem!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Regime de ditadura militar

Acho que me inscrevi no exército e só agora me dei conta.

Mas mais valia se me tivesse inscrito. Como licenciada fazia a recruta em 5 semanas, passando em seguida a oficial, ganhava mais e provavelmente não me iriam tratar como uma criança e impor regras de uma rigidez absurda.

Somos cerca de 75 pessoas e estamos há duas semanas com formação em sala, 8 horas por dia, com dez minutos de pausa e uma 1 hora de almoço. Os horários são rígidos, tipo, mesmo rígidos. Hoje ouvidos sermão e ameaças de despedimento (estamos todos em período experimental) porque a apresentação da manhã começou ás 9:05 e a da tarde com uns dois minutos de atraso em relação à hora marcada. É natural que as coisas não comecem exactamente ás 9h em ponto quando somos tantos, quando se demora a picar o ponto (com impressão digital, ah pois é, para não haver oportunidade de mais ninguém o picar por nós a não ser que cortemos o dedo e o deixemos emprestado!). E quando só há uma maquineta destas para picar o ponto, enquanto as pessoas tiram os casacos e se vão acomodando até se sentarem nas cadeiras, pode levar uns 5 minutos e não deveria vir daí nenhum grande drama ou mal ao mundo. certo? Wrong! É impensável para eles. Se nos atrasarmos um minuto e entramos ás 9h01, no final do dia temos um minuto de falta injustificada - this is not a joke, I promise - e se o senhor ao almoço demorar mais a servir o prato e não estivermos lá exactamente uma hora depois também há represálias.

Percebo que somos muitos e que tem que se impor alguma disciplina, mas é um grupo de pessoas adultas, bem-formadas que não tem andado a chegar aos 15 ou 20 minutos atrasados, mas em que há dias em que chegam ás 9h05. Odeio que me controlem a este ponto, que não haja nenhuma flexibilidade, que não se apercebam do quanto um trabalhador infeliz ou reprimido é um trabalhador improdutivo.

E soube finalmente porquê tão grande recrutamento agora. Parece que as pessoas que entraram há dois anos saíram quase todas e eles tiveram que renovar o stock. E porque saíram passados dois anos? Porque se sairmos antes disso temos de indemnizar a empresa em muitos euros. Não me admira que daqui a dois anos estejamos todos a sair de lá também. Só espero conseguir estar mentalmente sã nessa altura ou, se for intolerável, que me mandem embora eles para que não tenha que pagar.

Tanto benefício em termos de contrato de trabalho vem sempre com água no bico e, no caso deles, é um trabalho chatérrimo e de alto risco financeiro, com grandes responsabilidades e rigidez militar no trato com as pessoas. Não é definitivamente para mim. A ver o que acontece nos próximos meses.