sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Paris in the Springtime

Entre ontem e hoje despedi-me e assinei novo contrato. Começo segunda-feira.
Depois de 3 horas de testes psicotécnicos, entrevista com psicóloga que me administrou o teste de Rorschach ( vi uma folha de um plátano, dois camarões e umas mãos, enfim, não vi nada, era o que me fez parecer à primeira pelo menos) entrevista em inglês, entrevista em francês e entrevista com a big boss do departamento onde vou ficar inserida, I got the job!
E foi do género:
Senhora dos Recursos Humanos: Tenho uma boa e uma má notícia. Qual quer primeiro?
Eu: A má para depois ser compensada pela boa.
Senhoras dos RH: Mas a má decorre da boa.
Eu: Enfim, então diga lá.
Senhora dos RH: A boa é que ficou com o lugar, a má é que lhe vou pedir que se desvincule ainda hoje para amanhã ir reunir as documentações necessárias, fazer exames médicos e poder começar connosco esta segunda-feira.
Eu: Silêncio
Senhora dos RH: Eu sei que isto é muito depressa e nem dá tempo para assimilar, mas tem mesmo de ser. Segunda começamos a formação e daqui a um mês talvez tenha que ir para Paris passar seis meses em formação.
Eu: Silêncio. engulo em seco. Hum...bem....mas eu comecei a trabalhei faz hoje um mês e era suporto dar 15 dias de aviso à casa.
Senhora dos RH: Bem, essas coisas nunca são assim tão lineares. Tenho a certeza que você lhe sabe dizer a coisa de modo a que ninguém fique chateado!
E foi assim. Saí da entrevista e fui trabalhar. Tive basicamente meia hora para pensar em tudo aquilo e decidir se me despedia ou não. E resolvi saltar. Foi tudo muito rápido, ainda nem sei bem em que pé estou, esta também não é a minha área de eleição, mas quem não arrisca não petisca e eu gosto de aceitar desafios para não ficar a matutar neles depois.
Então despedi-me. A M. foi super compreensiva e em um mês e pouco fiz amigos lá dentro. Custou-me sair assim, mas não havia outro jeito.
Hoje de manhã ainda fui trabalhar, depois passei duas horas na loja do cidadão à cata de documentos. Depois fui assinar contrato. Depois atravessei meia cidade para ir ser picada, radiografada e analisada. Depois corri até à sede do antigo trabalho para entregar a rescisão do contrato e receber o dinheirinho. Sai de lá, apanhei o metro, seguido de autocarro que demoraou 40 minutos a fazer uma distância de 10 kms - como eu odeio as sextas-feiras em Lisboa, especialmente quando está de chuva - fui comprar bens essenciais à minha despensa e à minha sobrevivência se quero comer entre hoje e amanhã e, finalmente fui trucidada num outro autocarro por uma horda de passageiros molhados e stressados, ansiosos por chegar a casa.
Dói-me os braços de carregar as compras e estou cansada. Hoje quero jantar cedo, refastelar-me no sofá a ver a Grey´s Anatomy e dormir cedo. Esquecer que segunda feira está ao virar da esquina. Agora que me tinha acostumado com o novo trabalho é que tenho de repetir toda a adaptação de novo. Mas, se se confirmar, Paris na Primavera deve ser lindo ;)
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Sem tempo para nada

Isto de trabalhar e andar a prestar provas mais que exaustivas para outro emprego tem que se lhe diga. Tem que se fazer malabarismos e mágicas com os horários, mentir ao patrão sobre o motivo da ausência, correr de um lado para o outro para me fingir muito serena quando entro na sala de entrevista, sair de lá e voltar a correr para o trabalho. Já vou para a terceira entrevista depois de duas sessões de provas de selecção. Porém o meu entusiasmo hoje foi deitado abaixo quando me explicaram o teor da função e, ao contrário do anúncio que a empresa tinha publicado, não tem muito ou nada que ver com a minha área ou com o que gosto de fazer. Nada de escrita, criatividade ou dinâmica. E eu sinto-me cada vez mas presa nesta espiral de obrigações e obrigatoriedades da vida. Tenho inclusive que estudar para a entrevista de amanhã (sim, outra! ) e a vontade é quase nula como se vê por eu ainda estar aqui a escrever invés de me ir agarrar aos livros. I need to catch my breath.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Dos testes psicológicos...

Ontem passei 3 horas enfiada numa sala de um prédio antigo de Lisboa, gelada, sem um aquecedor ou ar condicionado que fosse, a fazer testes psicoténicos do mais exaustivo que fiz até hoje. Não sei se o frio da sala era um factor induzido para testar a minha capacidade de concentração perante condições adversas mas era escusado, especialmente porque fiquei pior da constipação que já trazia.
São uma coisa engraçada estas agências de recrutamento e selecção de pessoal. Os psicólogos entram mudos e saem calados, nada ou muito pouco te é dito do que vais fazer e tentam criar ao máximo um ambiente de intimidação. Pelo menos comigo sempre aconteceu mais ou menos assim.
Fiz teste de inglês, francês, 300 perguntas de avaliação psicológica - que a meu ver são das maiores tangas que existe, apetecia-me rir com algumas delas, seja pelo absurdo ou relevância da pergunta (tipo: " costuma subir os degraus de escadas dois a dois?"!!ou porque só não tendo noção alguém iria confessar que " não faz amigos facilmente", quando se está farto de saber que eles procuram sempre alguém sociável - testes diagramáticos, testes de atenção, testes de compreensão verbal e teste de matemática onde me vim a despenhar. Se eu sou de letras, já não tenho matemática desde o 9º ano, se a função para a qual concorri está ligada ás letras, porque raio me colocam um teste numérico com fracções, divisões e equações que talvez nem com máquina de calcula conseguisse fazer, quanto mais sem ela!
Sou muito, muitíssimo céptica em relação à porcaria destes testes, porque são falíveis e subjectivos. E quando estamos a concorrer a um lugar que queremos mesmo não é justo que um método falível e subjectivo nos venha cortar as asas ainda antes de tentarmos causar boa impressão numa entrevista. Pior é que isto é maior do que uma praga de gafanhotos e para quase todo o lado hoje em dia tem que se prestar provas do género. Que óptima maneira de empregar psicólogos não?
Não me entendam mal, eu até acho a psicologia bastante interessante. Mas a psicologia organizacional não deveria nunca ser usada desta maneira generalizada. Tem a pretensão de colocar tudo em caixinhas e considerar que tudo o que está fora da caixa não é "apto para"... irrita-me profundamente.
Por exemplo, a primeira vez que fiz testes diagramáticos correram muito mal. Já o meu namorado foi bem sucedido, ele que também fez os mesmos testes na mesma ocasião, também pela primeira vez. A diferença? Ele tem imensa prática em jogos que incluam abstracção visual. O psicólogo que me realizou os testes disse-me que os resultados representavam o meu QI e que eram estáveis e imutáveis. Quando lhe perguntei se praticando poderia alterar os resultados, ele deu-me um não redondo. Mas aquilo era o mesmo que chama-me de burra, não?!
Não podia ter ouvido pior resposta. Gastei 40 euros em livros com exercícios psicoténicos e pratiquei e pratiquei. Resultado? Hoje consigo fazê-los sem dificuldade e a minha vontade é aparecer à frente do dito psicólogo e pedir-lhe para repetir o teste. Adorava mostrar-lhe o quanto é que são imutáveis!
É por isto que quando ontem me veio uma colega psicóloga falar da veracidade do teste de Rorschach fiquei mais de meia hora a contra argumentar contra a porcaria de um teste de não quer dizer nada, porque quer eu veja um coelho ou uma lâmina nas manchas negras isso não faz de mim uma pessoa passiva, doce ou com instintos assassinos. E o pior é que esta malta é toda meia apanhada do cérebro. Portanto andamos a ser avaliados por pessoas que talvez não sejam as mais indicadas para avaliar alguém. Aliás, que direito tem alguém de vir colocar um monte de exercícios e dizer-te que se não adivinhares a posição do cubo após 4 rotações sobre si mesmo, não és apta para o lugar? Irrita-me já vos disse?!
São uma coisa engraçada estas agências de recrutamento e selecção de pessoal. Os psicólogos entram mudos e saem calados, nada ou muito pouco te é dito do que vais fazer e tentam criar ao máximo um ambiente de intimidação. Pelo menos comigo sempre aconteceu mais ou menos assim.
Fiz teste de inglês, francês, 300 perguntas de avaliação psicológica - que a meu ver são das maiores tangas que existe, apetecia-me rir com algumas delas, seja pelo absurdo ou relevância da pergunta (tipo: " costuma subir os degraus de escadas dois a dois?"!!ou porque só não tendo noção alguém iria confessar que " não faz amigos facilmente", quando se está farto de saber que eles procuram sempre alguém sociável - testes diagramáticos, testes de atenção, testes de compreensão verbal e teste de matemática onde me vim a despenhar. Se eu sou de letras, já não tenho matemática desde o 9º ano, se a função para a qual concorri está ligada ás letras, porque raio me colocam um teste numérico com fracções, divisões e equações que talvez nem com máquina de calcula conseguisse fazer, quanto mais sem ela!
Sou muito, muitíssimo céptica em relação à porcaria destes testes, porque são falíveis e subjectivos. E quando estamos a concorrer a um lugar que queremos mesmo não é justo que um método falível e subjectivo nos venha cortar as asas ainda antes de tentarmos causar boa impressão numa entrevista. Pior é que isto é maior do que uma praga de gafanhotos e para quase todo o lado hoje em dia tem que se prestar provas do género. Que óptima maneira de empregar psicólogos não?
Não me entendam mal, eu até acho a psicologia bastante interessante. Mas a psicologia organizacional não deveria nunca ser usada desta maneira generalizada. Tem a pretensão de colocar tudo em caixinhas e considerar que tudo o que está fora da caixa não é "apto para"... irrita-me profundamente.
Por exemplo, a primeira vez que fiz testes diagramáticos correram muito mal. Já o meu namorado foi bem sucedido, ele que também fez os mesmos testes na mesma ocasião, também pela primeira vez. A diferença? Ele tem imensa prática em jogos que incluam abstracção visual. O psicólogo que me realizou os testes disse-me que os resultados representavam o meu QI e que eram estáveis e imutáveis. Quando lhe perguntei se praticando poderia alterar os resultados, ele deu-me um não redondo. Mas aquilo era o mesmo que chama-me de burra, não?!
Não podia ter ouvido pior resposta. Gastei 40 euros em livros com exercícios psicoténicos e pratiquei e pratiquei. Resultado? Hoje consigo fazê-los sem dificuldade e a minha vontade é aparecer à frente do dito psicólogo e pedir-lhe para repetir o teste. Adorava mostrar-lhe o quanto é que são imutáveis!
É por isto que quando ontem me veio uma colega psicóloga falar da veracidade do teste de Rorschach fiquei mais de meia hora a contra argumentar contra a porcaria de um teste de não quer dizer nada, porque quer eu veja um coelho ou uma lâmina nas manchas negras isso não faz de mim uma pessoa passiva, doce ou com instintos assassinos. E o pior é que esta malta é toda meia apanhada do cérebro. Portanto andamos a ser avaliados por pessoas que talvez não sejam as mais indicadas para avaliar alguém. Aliás, que direito tem alguém de vir colocar um monte de exercícios e dizer-te que se não adivinhares a posição do cubo após 4 rotações sobre si mesmo, não és apta para o lugar? Irrita-me já vos disse?!
É por estas coisas que eu gosto do Obama
A china está metida em Bully. Faz-me lembrar quando somos crianças e dizemos ao colega...se andas com a Maria não podes andar comigo. Ou se te dás com bem a Joana vais-te ver comigo. Cresçam! Há alguém que apoie a expropriação do Tibete pela China?!
Que tenha duvidas quanto ao imperialismo desta última ou duvide das reivindicações de independencia do Tibete? Já era altura de uma grande potência lhes fazer frente.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
"Posso contar, por exemplo, o caso de um estágio de formação em França em que, no início, cada um dos 15 participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e, durante essa semana, cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. Como é óbvio, as pessoas afeiçoaram-se ao seu gato, cada um falava do seu gato durante as reuniões, etc.. E, no fim do estágio, o director do estágio deu a todos a ordem de… matar o seu gato. Só que aqui ninguém estava a apontar uma espingarda à cabeça de ninguém para o obrigar a matar o gato. Seja como for, um dos participantes, uma mulher, adoeceu. Teve uma descompensação aguda e eu tive de tratá-la – foi assim que soube do caso. Mas os outros 14 mataram os seus gatos. O estágio era para aprender a ser impiedoso, uma aprendizagem do assédio. "
Eu não quero viver num mundo onde os gestores de recursos humanos/patrões/colegas das empresas onde trabalhamos são treinados para serem impiedosos a este ponto, como máquinas que executam sem questionar. Pergunto-me como é que, de 15 pessoas, 14 mataram o seu gato. Pergunto-me em que estatísticas andará a humanidade. Triste apenas. E preocupante, muito.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
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