Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calada assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Não quero mais esse negócio
De você viver assim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim...

Flor do acaso ou ave deslumbrante,
Palavra tremendo nas redes da poesia,
O teu nome, como o destino, chega,
O teu nome, meu Amor, o teu nome nascendo
De todas as cores do dia!

Chega de Saudade, Tom Jobim

Para o D.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O encanto de um sorriso não dura uma vida inteira


Creio que foi o sorriso,

o sorriso foi quem abriu a porta.

Era um sorriso com muita luz

lá dentro, apetecia

entrar nele, tirar a roupa, ficar

nu dentro daquele sorriso.

Correr, navegar, morrer naquele sorriso

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pablo, you say it best

" Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se."

Pablo Neruda

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sem escalas de cinzento

"Amar ou odiar
Ou tudo ou nada: O meio termo é que não pode ser
(...) Amemos muito como odiamos já!
A verdade está sempre nos extremos
Pois é no sentimento que ela está."


Fausto Guedes Teixeira

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Podia ser um heterónimo do meu estado de espírito insatisfeito

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
... Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir...

Fernando Pessoa

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Noite de sonhos voada

Noite de sonhos voada
cingida por músculos de aço,
profunda distância rouca
da palavra estrangulada
pela boca amordaçada
noutra boca,
ondas do ondear revolto
das ondas do corpo dela
tão dominado e tão solto
tão vencedor, tão vencido
e tão rebelde ao breve espaço
consentido
nesta angústia renovada
de encerrar
fechar
esmagar
o reluzir de uma estrela
num abraço
e a ternura deslumbrada
a doce, funda alegria
noite de sonhos voada
que pelos seus olhos sorria
ao romper de madrugada:
— Ó meu amor, já é dia!...

In Poemas Dispersos
Manuel da Fonseca

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive. "

Fernando Pessoa

terça-feira, 3 de maio de 2011

Palavras assim recordam-me


porque sempre gostei tanto de poesia. E, tal como antes, está na hora de deixar as palavras levarem-me a sonhar mas, sobretudo, a fazerem-me acreditar de novo.

O Beijo

Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escaracéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (não é meu…)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar…

Alexandre O’Neill

sexta-feira, 26 de março de 2010

"A vida é uma complicada sequência de separações, um rumor de
mãos nervosas dizendo adeus. Abandonamos cidades, casas, corpos,
pessoas que amamos e pessoas que deixámos de amar, a solidão e o
companheirismo, as convicções e as fraquezas. Viver é dizer adeus constantemente a
si próprio."

Antonio Gala, El manuscrito Carmesi

O quanto eu procurei esta passagem! Encontrei-a no dito livro quando tinha uns 13 anos e apontei-a num caderno onde guardo poesias, um caderno que fica num baú da minha casa materna e que lá deixei ficar esquecido. Ultimamente lembrava-me muito destas palavras e apercebi-me que já não tenho o livro, apenas não sei mesmo o que lhe fiz. Mas tenho de o re-comprar ou reaver, pois recordo-me bem da impressão que estas palavras me deixaram na altura, faz dez anos. O peso da mensagem numa adolescente de 13, como se de repente estivesse perante uma lição de vida das mais verdadeiras. Não me enganei.